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Coronavírus

Portugal vai entrar em fase de mitigação “dentro de horas ou dias”

Plano de contingência prevê redução de turmas e fecho de locais de trabalho.

11 Março, 2020 - 16:18

Record TV com Lusa

A ministra da Saúde afirmou hoje ser inevitável que Portugal entre “dentro de horas ou dias” na fase de mitigação da doença Covid-19, quando se verifica a transmissão comunitária da infeção.

“É inevitável que entremos dentro de horas ou dias” na fase de mitigação, porque “a dinâmica da situação epidemiológica está a ser muito rápida”, afirmou Marta Temido na Comissão Parlamentar de Saúde, em resposta ao deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira.

A audição da ministra no parlamento decorreu esta quarta-feira, dia em que o número de infeções em Portugal subiu para 61.

“Tínhamos um conjunto significativo de contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, que têm feito um papel notável como foi percetível em casos acontecidos no Porto e em Coimbra, com o apelo das autoridades de saúde à mobilização social para a identificação de eventuais contactos em eventos que juntaram volumes significativos de pessoas e que tiveram entre eles um caso confirmado”, observou Marta Temido.

Segundo a ministra, a definição de caso de Covid-19 foi alterada na terça-feira pela DGS, explicando que, a partir de agora, passa a ter em conta não só a situação epidemiológica e clínica, mas também a situação de outros síndromes que possam ser, à partida, identificados como a nova doença.

“Todos os países estão a fazer, no fundo, este processo à medida que avançamos no combate ao surto”, afirmou.

Plano de contingência prevê redução de turmas e fecho de locais de trabalho

A redução das turmas, aumento do espaço entre os alunos, fecho de escolas e locais de trabalho e horários flexíveis e desencontrados são medidas previstas no Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus.

O Plano de Contingência divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) visa preparar a resposta e minimizar o impacto a uma potencial epidemia pelo vírus SARS-CoV-2 em Portugal, tendo como referencial as orientações da Organização Mundial da Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.

O documento descreve as orientações estratégicas necessárias ao setor da saúde face a esta ameaça em saúde pública, desenha os níveis de alerta e reposta para Portugal, que inclui três fases: contenção, contenção alargada e mitigação.

Relativamente à intervenção em contexto escolar, o plano prevê na fase de mitigação o fecho de escolas e outras “medidas menos interventivas”, nomeadamente a redução do tamanho das turmas ou aumentar o espaço entre os alunos.

“O objetivo desta medida é prevenir ou reduzir a transmissão nos estabelecimentos de ensino e nas comunidades onde os mesmos estão inseridos, ganhando tempo para uma melhor caracterização da situação epidemiológica e consequente intervenção e também para atrasar o pico da epidemia, por forma a melhor planear os serviços de saúde necessários para responder as fases mais críticas da epidemia”, lê-se no documento.

Segundo o plano, estas medidas de saúde pública podem ser aplicadas isoladamente ou em combinação com outras medidas de distanciamento social.

Em contexto laboral, o documento prevê nas fases de contenção alargada e de mitigação a aplicação de horários de trabalho flexíveis e desencontrados, promoção do trabalho à distância, maior utilização de ferramentas de comunicação como o correio eletrónico ou a teleconferência, até ao encerramento de locais de trabalho.

“O encerramento de locais de trabalho pode ser considerado em epidemias de gravidade extrema”, sublinha o documento, que destaca a importância da disponibilização de meios que facilitem o cumprimento de medidas de proteção o individual, como higienização das mãos e etiqueta respiratória.

Na intervenção em contextos especiais, como estruturas residenciais, estabelecimentos prisionais, eventos de massa, locais ou transportes de utilização coletiva, o plano determina o reforço das medidas de proteção individual, a distribuição e comunicação de mensagens de saúde pública.

Aconselha ainda a população a evitar participar em eventos ou frequentar locais de utilização coletiva, caso sejam apresentados sinais ou sintomas sugestivos de Covid-19 e evitar contacto próximo com pessoas visivelmente doentes.

“As diferentes estruturas e entidades devem dispor de planos de contingência e local próprio para isolamento, com recursos básicos para higienização e desinfeção das mãos, sempre que aplicável, assim como encaminhamento para cuidados de saúde”, refere o documento.

Os organizadores dos eventos ou os responsáveis por locais como centros comerciais, estádios desportivos devem articular com a autoridade de saúde competente para otimizar a implementação das medidas, que poderão variar, dependendo do tipo de evento e do local onde o mesmo vai decorrer, nomeadamente o número e perfil do público-alvo, as características ambientais e logísticas do local.

Segundo o plano, o tipo de medidas pode variar entre o adiamento ou o cancelamento de eventos de massa.

Em termos de medidas ambientais, o plano determina em todas as fases a adoção de medidas de limpeza e higienização, por rotina, de superfícies e objetos.

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