Mundial2022: Rei de Espanha alvo de críticas por ir ao Catar

Mundial2022: Rei de Espanha alvo de críticas por ir ao Catar
REUTERS
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O Rei de Espanha vai ao Catar na quarta-feira para um jogo da seleção espanhola de futebol no Mundial2022 e está ser alvo de críticas dos partidos de esquerda, incluindo um dos que integra a coligação no governo.

Felipe VI está a ser criticado por dirigentes da Unidas Podemos, a plataforma de partidos da esquerda espanhola que integra a atual coligação governamental liderada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

“Não falha. Onde quer que haja uma teocracia árabe ditatorial, assassina, sexista, homofóbica e ‘petrodólar’, os Bourbons são rápidos a ir”, escreveu na rede social Twitter o porta-voz no parlamento do grupo Unidas Podemos, Paulo Echenique, numa referência ao rei emérito de Espanha, Juan Carlos de Bourbon, que vive nos Emirados Árabes Unidos desde 2020, na sequência de investigações por suspeitas de corrupção, algumas delas relacionadas com Estados e milionários do Médio Oriente.

Outro dirigente da Unidas Podemos e deputado, Gerardo Pisarello, considerou na segunda-feira, numa conferência de imprensa, “lamentável” a ida de Felipe VI ao Catar, um país que não respeita os Direitos Humanos.

“Este Mundial já tem perdedores”, afirmou o deputado, que referiu os milhares de mortos registados (e denunciados por organizações não-governamentais) na construção dos estádios para esta competição desportiva, mas também a violação dos direitos das mulheres e da comunidade LGTBI+ (lésbicas, ‘gays’, transexuais, bissexuais, intersexuais e outros).

Para Pisarello, os próprios adeptos do futebol também integram esta categoria, uma vez que veem como se está a usar “um desporto tão apreciado e passional para fazer dinheiro à custa dos direitos civis”.

Outra deputada, do partido de esquerda catalão Candidatura de Unidade Popular (CUP), Mireia Vehí, considerou uma “vergonha” e uma “deceção” a ida do Rei, chefe de Estado de Espanha, ao Mundial e criticou a própria participação da seleção espanhola depois de terem morrido milhares de pessoas a construir os estádios.

A porta-voz do Governo espanhol, a ministra socialista Isabel Rodríguez, considerou hoje “muito correto” que o Rei vá ao Catar apoiar a seleção porque esse é “o sentimento da imensa maioria dos espanhóis”.

Isabel Rodríguez afirmou que o apoio à seleção une os espanhóis e saudou a deslocação de Felipe VI ao Catar para o primeiro jogo, acrescentando que aquilo que o Governo deseja é “um bom campeonato e resultados, e a celebração de uma vitória” da equipa.

O Rei de Espanha tem de viajar sempre acompanhado por um membro do Governo e irá ao Qatar, na quarta-feira, não com um ministro, mas com o presidente do Conselho Superior do Desporto, segundo fontes oficiais citadas pela agência de notícias EFE.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deverá ir ao Catar se Espanha chegar à final do Mundial, que termina em 18 de dezembro, disseram as mesmas fontes.

A ida de líderes políticos e outros dignitários ao Catar está ser alvo de críticas, sobretudo, na Europa, por causa do desrespeito dos Direitos Humanos no emirado.

Em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente do Parlamento, Augusto Santos Silva, e o primeiro-ministro, António Costa, já manifestaram a intenção de acompanhar os jogos da seleção portuguesa.