Duda Nagle: da timidez até ao sucesso com Jotã

Duda Nagle: da timidez até ao sucesso com Jotã
© Record TV/ Blad Meneghel

O ator faz a sua segunda participação na Record TV. Ele já esteve no elenco da minissérie ‘Milagres de Jesus’ e atualmente interpreta o comandante do exército de Israel, Jotã, na série ‘Reis’.

Sobre Jotã, Duda falou ao podcast ‘Fora de Série’:

Antes de falar sobre a personagem Jotã, Duda, fale-nos um pouco da sua carreira…

O meu primeiro trabalho foi em 2003, numa telenovela. Foi uma experiência bem transformadora. Não esperava ser ator. Inclusive, comecei a estudar teatro porque morria de vergonha de falar em público, era impensável para mim. Era tímido e estava a começar na universidade e no mercado de trabalho.

 

A sua família também vem da área da comunicação. Inspirou-se neles?

Eu cresci muito próximo da minha mãe, porque os meus pais separaram-se quando eu era muito pequeno. Por mais que eu fosse muito próximo também do meu pai, eu cresci em casa dela. Ela frequentava muito os bastidores da TV e levava-me para brincar e para eu entender o que acontecia com ela naquela ‘caixa’. [risos] Tenho memórias muito fortes de brincar no silêncio do estúdio e hoje, o silêncio e a tensão, dão-me paz. Isso ajudou-me a vencer a timidez.

 

Muitas pessoas vivenciam a timidez e quando alguém não faz o que tu fizeste, ela acaba por ser um bloqueador…

A timidez vem do latim ‘timidus’, de ‘timor’, de medo. É um medo paralisante que nos faz deixar de viver muitas coisas. Recentemente, usei esta experiência acumulada ao longo dos anos, de como vencer a timidez e criei o meu próprio método. Hoje dou aulas, sou professor e digo: “Tu não és tímido, tu estás tímido e podes viver com ela [a timidez] a dominar as ferramentas da linguagem”.

 

E por falar em Jotã, como ocorreu o processo de preparação para esta personagem?

A partir do momento em que o diretor de elenco partilhou comigo qual era o perfil da personagem, no mesmo dia marquei uma aula de luta com espadas e retomei as minhas aulas de arco e flecha. Também arranjei uma espada de estilo romano para treinar. Sem nem saber o texto e nem sequer ter assinado contrato, eu já tinha voltado a ser criança, a pensar nas cenas de ação. O Jotã está na linha da frente, a tomar decisões muito difíceis, num universo de vida ou morte e em batalhas muito complexas.

 

A personalidade de Jotã também chamou a sua atenção?

Ele aceita a sua vocação, vai de peito aberto, a confiar no Deus vivo – como ele diz -, no seu propósito. No Jotã podemos ver a disciplina e a liderança. Conhecem a frase: “O chefe manda fazer enquanto o líder vai à frente”? Esse é o Jotã. Ele fortalece aqueles que os rodeiam e é sempre o primeiro a correr. Foi muito emocionante gravar as cenas com centenas de pessoas a gritarem com ele.

 

O que aprendeu com Jotã?

Eu quero aproveitar Jotã como referência para me tornar um homem mais forte e fortalecer a minha fé nos momentos difíceis. Ele é uma boa referência também em termos de proteção daqueles que ele ama.

 

Sobre ‘Reis’, o tem a dizer sobre o facto de a produção ser em formato de série?

‘Reis’ é realmente uma superprodução. Era uma estrutura muito grande. Camiões de espadas, muitos animais, catering gigantescos, autocarros, carrinhas de todos os tipos… Ver isto agora, com toda a magia dos efeitos visuais e especiais, é realmente incrível. Atenção, transformámos o Rio de Janeiro num deserto! Foi impressionante. Espero que o público veja e estimule ainda mais este tipo de oferta televisiva.

 

O que as pessoas podem aprender com o Jotã?

Acho que senso de missão, a vocação, o estar presente no próprio sacrifício por uma coisa maior. Além da fé. Ele estava numa situação em que precisava confiar e não questionar. Então, ele está disposto a abrir mão da própria vida para fazer a sua parte.

 

O que mais o emocionou em ‘Reis’?

A parte de o Jotã registar as perdas. Senti que realmente o preço é muito alto e caro. É difícil ter de manter tudo nos trilhos. Ele perde amigos, filhos de amigos e pessoas que ele mesmo formou. Isso tem uma carga emocional muito grande e a morte está muito presente e próxima.

 

O que as pessoas podem esperar da série?

Todas estas camadas: a adrenalina, a ação, expectativas não realizadas, o dinamismo… Espero que as pessoas entrem na história connosco, aprendam e vivam neste universo.