“Num reality o medo não é um bom parceiro”

A Fazenda - Tudo a Ver - banner 2022

A apresentadora dá detalhes e novidades da nova edição do programa, revela ainda planos futuros.

A pré-estreia da nova temporada de ‘A Fazenda – Tudo a Ver’ foi emitida ontem, na Record TV Europa, e a atriz, apresentadora e ex-modelo Adriane Galisteu, é quem lidera o reality e falou com o portal R7 antes da sua estreia.

Adriane, 49 anos, nasceu e foi criada no bairro da Lapa, e este ano completa 40 anos de carreira. “Comecei a trabalhar em criança, aos nove anos”, diz ela. Numa conversa com o R7, em que exibiu, para além da simpatia habitual, uma disposição impressionante para quem tinha enfrentado uma manhã e metade de uma tarde de entrevistas, sessões de fotografias e gravações como parte do lançamento, Adriane partilhou as suas expectativas e destacou as novidades da nova edição.

A apresentadora disse estar próxima de lançar os seus avatares para mergulhar de vez no mundo virtual do metaverso, o espaço coletivo virtual que reproduz o real com a combinação das realidades virtual e aumentada com a Internet. ‘A Fazenda – Tudo a Ver’ é o primeiro reality do mundo a incluir o metaverso. “Agora vou poder até voar, que maravilha!” A comunicadora revelou ainda a vontade de registar as suas quatro décadas de trabalho num livro.

Quais as principais novidades nesta edição de ‘A Fazenda – Tudo a Ver’?
Teremos um novo cenário, mais bonito e dinâmico. E também a criação do Espaço do Fazendeiro, um rancho VIP para ser ocupado pelo peão líder da semana e os seus aliados. Será totalmente monitorizado por câmaras, para o público não perder nenhum detalhe de tudo o que vai acontecer por lá. O espaço tem tudo para adicionar uma pimenta adicional à competição. Outra novidade é a entrada de ‘A Fazenda – Tudo a Ver’ no metaverso, um espaço coletivo virtual que reproduz o real por meio da soma das realidades virtual e aumentada com a Internet. É o primeiro reality do mundo a entrar no metaverso.

Esteve numa maratona de entrevistas, fotos, gravações e programas desde o início da manhã. E agora, a meio da tarde, ainda parece muito bem-disposta. Está preparada para toda a exigência ‘A Fazenda – Tudo a Ver’?   
Penso que sim. Vou aproveitar o possível de tempo livre para descansar e recuperar. Entre o ‘Power Couple’ e ‘A Fazenda – Tudo a Ver’, os realities que apresento atualmente, passaram 45 dias. Então planeio tudo para viajar 40 dias. Porque não é só apresentar o programa. Há uma série de conversas e preparações anteriores, que me dão muito prazer, mas que exige muito trabalho meu, do diretor Rodrigo Carelli e da nossa equipa. ‘A Fazenda – Tudo a Ver’ não é feita nos estúdios da Record TV, no bairro da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, mas na área rural de Itapecerica da Serra, uma cidade da região metropolitana que fica a 40 km da capital paulista. A distância não é grande, mas o trânsito é horroroso tanto na ida como na volta. Saio de casa às 15:00 e chego às 3 da manhã todos os dias. Durante o programa fica difícil até ver a minha família. O meu filho sai bem antes de mim para a escola. Quando volto, ele está a dormir. Apresentar estes programas é um prazer imenso, enche-me de honra, mas, pela sua natureza, exige preparação física e psicológica, e eu entrego-me a eles.

Em que aspetos um reality show se diferencia dos outros programas sob o ponto de vista do apresentador?
Eu tenho esta coisa de tratar toda a gente bem como filosofia de vida. Nas entrevistas convencionais, isto funciona praticamente como regra. Entrevistas ocorrem, na maioria dos casos, por deferência do entrevistado. Ele reserva um tempo da vida dele, em que poderia trabalhar ou descansar e às vezes desloca-se para dar resposta ao pedido. Num reality, o apresentador frequentemente torna-se mediador, por necessidade. Não há espaço para indelicadeza, mas muitas vezes é necessário rigor. Então tenho de congelar um pouco o meu lado expansivo. Se sorrio para um, tenho de sorrir para outro também, porque senão os fãs matam-me. [risos] Eles comentam nas redes sociais que estou a torcer e a ‘puxar a sardinha’ por A ou B. Não é fácil.

Isso requer bastante distanciamento emocional, certo?
Isso. Não em relação ao programa, mas aos interesses de cada participante. Como espectadora, eu sempre torci, votei e tive as minhas preferências. No papel de apresentadora, obviamente acompanho todos os programas e, internamente, formo opiniões e sentimentos, porque, afinal de contas, continuo a ser um ser humano. [risos] Às vezes irrito-me num determinado período do programa, mas controlo a raiva pela exigência óbvia da minha função.

O que espera dos participantes?
Espero muito. O que faz o programa acontecer é o elenco, e este parece-me excelente para um reality. Vai depender muito de quanto estarão dispostos a jogar. E, pela maneira de ser, diria que a grande maioria deles está disposta a jogar. A ideia de ficar na retaguarda, demorar para entrar no jogo, não funciona. O medo até gera boas decisões na vida, mas, num reality, definitivamente, não é um bom parceiro. Muitos bons participantes são eliminados por medo.

Gera indiferença, não é?
Exato – e indiferença é um dos piores inimigos num reality. A pessoa torna-se uma ‘planta’, não é? O morno não funciona. Eu, pessoalmente, também sou assim: quente ou gelado. Amem-me ou odeiem-me, mas, por favor, não me achem mais ou menos.

Há muitos influenciadores digitais nesta edição…
Eles são um fenómeno recente. Estão cada vez mais presentes porque sabem comunicar e mobilizar pessoas, duas coisas fundamentais em realities. Duas peoas desta edição possuem mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais. A Ruivinha de Marte tem 24 milhões, e a Deolane Bezerra, 22 milhões. Isso não é brincadeira.

Acha que a Deolane vai protagonizar bons momentos?
Espero mesmo que ela jogue de verdade. Há uma grande expectativa em torno dela. Mostrou muita força no público no período seguinte à morte do marido, MC Kevin. Depois, com o direcionamento para as redes sociais, adotou um comportamento mais suave. Espero muito que ela jogue. Por detrás desse novo muro há a Deolane de sempre, e espero que essa Deolane reapareça.

Qual foi a situação mais curiosa vivida por si nos realities?
Sem dúvida foi o ‘quebra-pau’, a discussão gerada em direto numa edição do ‘Power Couple’. Estava toda a gente a discutir. Eu implorava para que eles se acalmassem e nada. Até que me virei de costas para as câmaras, tirei os sapatos e fiquei a ver como mais uma espectadora. Pensei: estou impotente, não acredito no que está a acontecer e não há nada que possa fazer. Precisámos de colocar um segurança dentro da casa para ajudar a acalmar os ânimos. Afinal de contas, aquilo é uma casa, não é? Tem talheres, pratos, vidros, facas… até onde aquilo iria? É complicado. Depois desse episódio, reforçámos a segurança de todos os realities, inclusive desta Fazenda. Não dentro da casa, mas à volta dela. Em posições que permitam entrar na casa rapidamente se necessário.


Além do trabalho nos realities, tem mais algum plano profissional para o futuro próximo?
Tinha sido convidada pelo Jô Soares para o elenco de ‘Gaslight’, peça que ele dirigiu e acabou por ser o seu último trabalho. Fiquei honrada e feliz, mas precisei de desistir da participação para assumir os realities na Record TV. Fui muito bem substituída pela atriz e influenciadora digital Kéfera. Agora estou a desenvolver com a minha equipa, avatares para entrar de vez nesta coisa do metaverso, a exemplo da Record TV, ainda mais perante o facto de sermos o primeiro reality do mundo neste mundo virtual. Além do avatar para a Fazenda, os meus, individuais, particulares, estão em desenvolvimento. Três meses de trabalho em equipa. Estão quase prontos. Vamos lançar daqui a pouco. O metaverso vai dominar o cenário já, já, em pouco tempo. Quero também fazer um livro com fotografias e textos pequenos sobre os meus 40 anos de carreira. Inclusive os tombos. [Adriane agarra no telemóvel para mostrar os protótipos dos seus avatares] Veja como é próximo da realidade. O rosto, a pele… É inacreditável. E vou poder até voar. Que maravilha…

Bons voos.
Obrigada.