Acusações contra Moscovo sobre crise alimentar “sem fundamento”

Putin:
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Vladimir Putin assegurou, num contacto telefónico, com o chanceler austríaco, Karl Nehammer.

“Vladimir Putin sublinhou que as tentativas de tornar a Rússia responsável pelas dificuldades na entrega dos produtos agrícolas nos mercados mundiais são sem fundamento”, indicou o Kremlin em comunicado.

Na terça-feira, Putin referiu ao primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, que a Rússia estava “pronta a fornecer uma contribuição significativa para ultrapassar a crise alimentar através da exportação de cereais e fertilizantes, sob reserva do levantamento pelo ocidente das restrições com motivações políticas”.

A Ucrânia, um importante exportador de cereais, em particular de milho e trigo, tem a sua produção bloqueada devido aos combates.

Por sua vez, a Rússia, outra potência cerealífera, não pode vender a sua produção e os seus fertilizantes devido às sanções ocidentais que afetam os setores financeiros e logísticos. Os dois países produzem um terço do trigo mundial.

O conflito originou um desequilíbrio alimentar à escala mundial, com os receios de uma grave crise que poderá afetar em particular os países mais pobres.

No decurso do seu contacto telefónico, Putin apelou aos ucranianos para “desminarem o mais rapidamente possível os portos para deixar passar os navios bloqueados”, segundo o comunicado.

De acordo com Mikhail Mizintsev, diretor do Centro nacional russo de gestão da defesa, citado pela agência noticiosa russa Ria-Novosti, as forças russas garantem dois corredores marítimos por dia para permitir a saída dos navios dos portos de Mariupol, situado no mar de Azov, e de Kherson, Mykolaiv, Tchornomorsk, Otchakiv, Odessa e Ioujni, situados no mar Negro.

“As forças armadas russas abrem diariamente dois corredores marítimos humanitários das 08:00 às 19:00, hora de Moscovo”, declarou.

Na quarta-feira, Moscovo tinha afirmado que o porto de Mariupol tinha retomado as atividades após ter sido desminado, um mês após o anúncio pela Rússia da conquista desta cidade estratégica.

Por sua vez, o chanceler austríaco declarou em conferência de imprensa que Putin “emitiu sinais segundo os quais está disposto a autorizar as exportações a partir dos portos marítimos” de produtos agrícolas ucranianos, em coordenação com a ONU.

“Em relação aos prisioneiros de guerra, o Presidente Putin afirmou estar pronto a reforçar as negociações com os ucranianos para obter progressos”, indicou ainda, para acrescentar que “concordou na necessidade que a Cruz Vermelha tenha acesso aos prisioneiros de guerra”.