Boris Johnson: “Ninguém é remotamente indispensável”

Sucessor de Boris Johnson conhecido a 5 de setembro
REUTERS/Henry Nicholls

Boris Johnson não resistiu à tempestade política dentro do Governo e demitiu-se do cargo. Boris Johnson anunciou hoje a saída afirmando que irá continuar no poder até o partido Conservador eleger um novo líder.

Boris Johnson foi direto e com sem rodeios.

“Está claro que vontade do Partido Conservador é a de que deve haver um novo líder e, consequentemente um novo Primeiro-ministro”, começou por dizer Boris Johnson. “Esse processo deverá começar imediatamente e uma cronologia de eventos será anunciada na próxima semana”, informou o primeiro-ministro.

Boris Johnson anunciou a saída, ainda que não se saiba bem quando isso irá acontecer, visto que permanecerá em funções até à eleição de um novo líder Conservador.

No discurso, o primeiro-ministro britânico lembrou a jornada feita, sem esquecer os marcos do mandato: Brexit, Pandemia de Covid-19 e agora a guerra na Ucrânia, deixando uma garantia: “Deixem-me dizer agora ao povo da Ucrânia que sei que nós no Reino Unido continuaremos a apoiar a sua luta pela liberdade durante o tempo que for necessário”.

Boris Johnson contou várias vidas e foi sobrevivendo aos inúmeros escândalos que assolaram o seu mandato, mas não sobreviveu a uma debandada geral no Governo. Cerca de 60 membros do Executivo pediram demissão, incluindo cinco ministros. Boris Johnson tentou, manteve-se firma na posição de não colocar o lugar à disposição, mas a pressão interna foi mais forte. O primeiro-ministro denunciou um “instinto de manada”.

“Como vimos em Westminster, o instinto de manada é poderoso. Quando o conjunto se move, ele move-se! E meus amigos, na política, ninguém é remotamente indispensável”, afirmou.

A tempestade política acontece depois do último caso polémico a envolver Boris Johnson. Em causa está o deputado Chris Pincher e as queixas de assédio que sobre ele recaem. O ainda líder do partido Conservador já saberia da conduta inapropriada do deputado, nomeando-o ainda assim para cargos importantes, como o de vice-líder parlamentar em 2019.

Boris Johnson deixa também o Partygate como legado, tendo sido provado que organizou e participou em pelo menos 16 festas privadas durante os isolamentos da covid-19.