Boris Johnson sobrevive a moção de censura

Boris Johnson sobrevive a moção de censura
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Primeiro-ministro britânico conseguiu 211 votos de apoio.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, resistiu ontem a uma moção de censura interna no Partido Conservador ao conseguir 211 votos de apoio.

Numa votação secreta realizada hoje no edifício do Parlamento em Londres, 211 deputados (59%) do Partido responderam sim à questão: “Ainda tem confiança em Boris Johnson como líder?”, enquanto 148 (41%) responderam que não.

Johnson precisava uma maioria de 180 votos ou mais entre 359 deputados.  

A moção de censura [“vote of no confidence”] ao líder do Partido Conservador foi convocada esta manhã, após dezenas de deputados terem manifestado descontentamento.

Graham Brady, presidente do grupo parlamentar Conservador, também conhecido por Comité 1922, declarou ter sido ultrapassado o patamar de 54 subscritores para desencadear o processo, embora não tenha adiantado o número preciso.

O escândalo causado pelas festas ilegais na residência de Johnson em Downing Street durante a pandemia de covid-19 foi apontado como a principal causa de insatisfação interna, mas alguns deputados levantaram outras questões relacionadas com políticas do Governo.

A votação secreta teve lugar na Câmara dos Comuns entre as 18:00 e 20:00 (mesma hora em Lisboa), sendo aberta ao grupo parlamentar Conservador, de 359 deputados.

As regras ditam que, se uma moção de censura fracassar, o líder do Partido fica imune a nova tentativa durante um ano, mas vários comentadores e políticos sugeriram hoje os regulamentos podem ser alterados.

Porém, a revolta poderá ter feito estragos na liderança e a contestação interna poderá voltar depois de 23 de junho, se o Partido Conservador perder duas eleições parlamentares parciais consideradas indicativas do sentido da opinião pública no norte e sul de Inglaterra.

Os 148 votos contra são superiores à insurgência de 117 deputados (37%) que Theresa May enfrentou em 2018, na sequência da qual se manteve em funções, acabando contudo por demitir-se quatro meses depois.

A amplitude da margem é considerada crucial para avaliar as perspectivas do chefe do Executivo durante o resto do mandato até às próximas eleições, previstas para 2024.