Detido português procurado pela Interpol

Detido português procurado pela Interpol
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Era suspeito de introduzir no Líbano explosivos que causaram a tragédia do porto de Beirute.

Foi ontem detido o português procurado pela Interpol, na sequência da explosão no porto de Beirute, no Líbano, que matou 215 pessoas.

Foi à chegada ao aeroporto de Santiago, no Chile, que Jorge Moreira chamou a atenção das autoridades. O nome do português de 43 anos constava numa lista de alerta vermelho da Interpol.

A polícia local rapidamente percebeu que Jorge Moreira era procurado em todo o mundo por ser suspeito de introduzir no Líbano os explosivos que causaram a tragédia do porto de Beirute em 2020.

Segundo as autoridades de Beirute, o português terá transportado para a capital do Líbano matéria inflamável que provocou uma explosão de 2,7 toneladas de nitrato de amónio e que matou 215 pessoas.

Para os libaneses, Jorge Moreira é suspeito de introdução de matérias explosivas no país, homicídio intencional, ato de terrorismo levando à morte, danificação de máquinas com o objetivo de afundar uma embarcação, causando várias mortes e intervenção criminal e contravenção, crimes que lhe podiam custar uma pena máxima de prisão perpétua.

Mas a história poderá ser diferente… O português, que em 2014 trabalhava na fábrica de Explosivos de Moçambique terá encomendado as 2,7 toneladas de nitrato de amónio, que nunca chegaram ao país sul africano, tendo Jorge Moreira deixado os quadros da Fábrica de Explosivos Moçambicana em 2016.

A matéria perigosa ficou ficou retida no porto de Beirute, onde ficou armazenada durante seis anos. Foi na manhã de 4 de agosto de 2020 que um trabalho de manutenção ao portão do armazém 12, onde estava guardado o nitrato de amónio, causou aquela que foi considerada uma das maiores explosões não nucleares da história.

O Líbano pediu a detenção e extradição de Jorge Moreira mas o processo foi declarado extinto pelos tribunais portugueses, depois de Beirute não ter enviado, em tempo útil, a documentação necessária.

De acordo com a imprensa chilena, o português foi impedido de entrar no país e foi encaminhado de volta para o país de origem, ou seja, Espanha, uma vez que terá partido de Madrid.

O responsável da delegação da Interpol em Santiago, informou que o caso será, agora, comunicado às autoridades libanesas bem como a Madrid e Lisboa, para que todos os países participantes sejam alertados.