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Dezassete corpos encontrados em cemitério clandestino no Brasil

Túmulo foi descoberto a cerca de 40 quilómetros do Rio de Janeiro.

11 Julho, 2019 - 17:33

Record TV com Lusa

Pelo menos 17 corpos foram encontrados no Brasil num cemitério clandestino no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo a Secretaria da Polícia Civil do Rio de Janeiro, depois dos doze restos mortais encontrados na sexta-feira, alguns em estado de decomposição avançada, as autoridades desenterraram mais cinco esta quarta-feira.

As identidades dos mortos ainda são desconhecidas.

O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a familiares das vítimas que informem a polícia sobre possíveis desaparecimentos, com o intuito de identificar os corpos enterrados naquele local.

O túmulo foi descoberto a cerca de 40 quilómetros da cidade do Rio de Janeiro e as autoridades acreditam que o cemitério seria usado pela milícia que atua na região, e que foi alvo, na semana passada, de uma operação que culminou em 43 detenções.

Segundo a polícia, o grupo que opera em Itaboraí está ligado à milícia do Rio de Janeiro, conhecida como Curicica, liderada por Orlando Oliveira de Araújo, mais conhecido como Orlando Curicica, que se encontra preso desde outubro 2017 num estabelecimento prisional de segurança máxima.

A polícia acredita que a milícia que opera na área tenha praticado tortura, extorsão e cerca de 50 homicídios desde o começo do ano passado, com muitas das vítimas a serem dadas como desaparecidas.

As autoridades locais estimam que as milícias controlam cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro.

Com início na década de 1990, as milícias eram compostas, principalmente, por ex-polícias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.

Durante anos, chegaram a ser elogiadas por políticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milícias em 2008.

No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilícitos e até assassínios.

Atualmente, alguns especialistas em crime argumentam que as milícias tornaram-se na maior ameaça à segurança do Rio de Janeiro e que os seus métodos estão a ser copiados em outras cidades brasileiras.

As autoridades judiciais do Rio de Janeiro, criaram na semana passada um tribunal especial de juízes “sem rosto”, cujas identidades estão escondidas, para julgar milícias, narcotraficantes e responsáveis por branqueamento de capitais, que não temem represálias.

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