Doenças não transmissíveis responsáveis por dois terços das mortes prematuras

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Europa é o continente com uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo.

Dois terços das mortes prematuras na Europa são causadas por quatro doenças não transmissíveis, continente com uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo e onde as infeções por VIH estão a aumentar, alertou a OMS.

“Dois terços de todas as mortes antes dos 70 anos na região europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS) são causadas por quatro grandes doenças não transmissíveis: cardiovasculares, cancros, doenças respiratórias crónicas e diabetes”, refere o Relatório Europeu da Saúde 2021.

Segundo o documento, um em cada cinco homens e uma em cada 10 mulheres “está atualmente a morrer antes do seu 70.º aniversário de uma das quatro principais” doenças não transmissíveis, mortes que são “em grande parte evitáveis” e causadas por quatro fatores de risco comportamentais modificáveis: o consumo de tabaco, a dieta pouco saudável, a falta de atividade física e o consumo prejudicial do álcool.

 De acordo com o relatório da OMS, o suicídio constitui também um “importante contribuinte para a mortalidade prematura” na Europa que, apesar da redução registada, continua a “ter uma das taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas a nível mundial”.

Em 2019, ainda antes da pandemia da covid-19, 119.000 pessoas na região europeia da OMS, que inclui mais de 50 países, “morreram por suicídio”, salienta o relatório.

A OMS alerta ainda que a Europa é uma das duas regiões da OMS onde o número de infeções por VIH está a aumentar, com um crescimento de cerca de 6% para cada 1.000 pessoas entre 2015 e 2019, sendo o sexo heterossexual a forma mais comum de transmissão (50%).

Em 2018, as doenças cardiovasculares foram as que mais contribuíram para a mortalidade prematura (48,9%), seguidas de perto pelo cancro (44,1%), enquanto as doenças do sistema respiratório (3,7%) e a diabetes (3,3%) tiveram impactos menores neste indicador.

A OMS avança ainda que o consumo total de álcool per capita diminuiu 1,3 litros entre 2000 e 2019, no entanto, os níveis de consumo na Europa continuam a ser os mais elevados a nível global.

“Anualmente, os adultos (pessoas com 15 anos ou mais) da região bebem, em média, 9,5 litros de álcool puro”, o equivalente a 190 litros de cerveja, 80 litros de vinho ou 24 litros de bebidas espirituosas, alerta o relatório da OMS Europa.

Em Portugal, de acordo com o relatório, o consumo total per capita aumentou de 11,9 para 12,1 entre 2015 e 2019.

Segundo o relatório, o consumo de álcool está associado a 31% das mortes por doenças digestivas, 11% das mortes por doenças cardiovasculares, 6% das mortes por cancro, 30% das mortes por lesões não intencionais (quedas, afogamentos, acidentes de viação) e 39% das mortes por lesões intencionais (suicídio ou homicídio).

Relativamente ao consumo de tabaco, a prevalência padronizada da taxa entre pessoas com 15 anos ou mais foi de 26,3% em 2018 na Europa, tendo aumentado em Portugal entre 2010 e 2018.

 A OMS alerta que o uso de cigarros eletrónicos tem vindo a ganhar popularidade entre os jovens 13 e os 15 anos, com alguns países a registarem as taxas de utilização dos cigarros eletrónicos entre os jovens mais elevadas do que as dos cigarros convencionais.

Na maioria dos países da região europeia da OMS, a prevalência de excesso de peso e de obesidade é maior em rapazes dos 7 aos 9 anos (29%) do que nas raparigas (27%) e quase uma em cada três crianças desta faixa etária vive com excesso de peso ou obesidade.

O documento sublinha também que todos os países cumpriram a meta para a mortalidade materna de menos de 70 por 100.000 nados vivos até 2030, estando a taxa situada nos 13 por 100.000 nados vivos, a partir de 2017.

Quanto aos profissionais de saúde, a região europeia da OMS tem a maior taxa de médicos (47,2 por 10.000 habitantes) em todo o mundo e regista a segunda maior taxa de pessoal de enfermagem (81,9 por 10 000 habitantes).