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Finlandeses são o povo mais feliz num mundo cada vez mais infeliz

Finlândia lidera, pelo segundo ano consecutivo, um ranking da ONU das populações mais felizes, onde os investigadores dizem que os níveis de felicidade no mundo estão a diminuir.

23 Março, 2019 - 09:00

Record TV com Lusa

O Relatório Mundial sobre a Felicidade, realizado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, classificou, pelo segundo ano consecutivo e de entre 156 países, a Finlândia como a nação com cidadãos mais felizes, e com Portugal a surgir na posição 66, subindo do anterior lugar 77.

O relatório de 134 páginas, compilado pelos economistas John F. Helliwell, Richard Layard e Jeffrey D. Sachs, mostra que, em geral, os níveis de felicidade diminuíram em todo o mundo, apesar do crescimento económico contínuo, o que prova que a receita para a felicidade está no equilíbrio de muitas variáveis.

O índice baseia-se em fatores que incluem a riqueza económica, a expectativa de vida, o apoio social, a liberdade para fazer escolhas de vida e os níveis de corrupção governamental.

O índice, que divulgou os dados para 2018, revela que outros países nórdicos, como a Dinamarca, a Noruega e a Islândia estão bem colocados no ranking, acompanhados de Holanda, Suíça, Suécia, Nova Zelândia, Canadá e Áustria.

Os Estados Unidos caíram do 18º para o 19º lugar, apesar de terem beneficiado de uma economia em expansão nos últimos anos, acompanhando a tendência geral de menores níveis de felicidade.

A tendência, segundo os especialistas, é explicada, em parte, por quedas acentuadas na felicidade em países densamente povoados como Estados Unidos, Egito e Índia.

“A tendência mundial de um declínio considerável na felicidade média, apesar do crescimento geral do PIB per capita, é prova de que medir a felicidade e a satisfação com a vida em termos de riqueza económica não é suficiente”, disse Meik Wiking, CEO da agência Happiness Research Institute, de Copenhaga, Dinamarca, que participou do relatório.

Wiking acredita que a erosão da felicidade nos Estados Unidos pode ser atribuída a uma “crise social” em que muitos norte-americanos sentem cada vez mais que não podem confiar nos seus concidadãos e que “não têm ninguém com quem contar em momentos de necessidade”.

“A divisão entre ricos e pobres também cria uma erosão da coesão e da confiança entre as pessoas, que é tão vital para a sensação de segurança e, portanto, para o nível geral de felicidade do povo americano”, disse aquele especialista.

Por outro lado, vários países, incluindo Portugal, revelaram um acrescento de participação em ações de solidariedade e de voluntariado, o que pode ajudar a compreender como Portugal passou do lugar 77 para o lugar 66.

Este fator de integração, de efeito positivo, contrasta com o tempo que as pessoas despendem com dispositivos eletrónicos e nas redes sociais digitais, hábitos que contribuem para a baixa interação social e para menores índices de felicidade.

O fator de desenvolvimento económico também continua a ter um papel relevante no índice, comprovado pelo facto de vários países na base do índice sofrerem de graves crises e problemas económicos: o Sudão do Sul é o país menos feliz, antecedido da República Centro-Africana e do Afeganistão.

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