Guerra na Ucrânia pode levar a escassez de alimentos global

Guerra na Ucrânia pode levar a escassez de alimentos global
REUTERS/Lisa Leutner

A Guerra na Ucrânia poderá levar a uma escassez global de alimentos e provocar fome por todo o mundo. O alerta foi deixado por António Guterres.

A guerra é na Ucrânia mas a fome pode ser global se não forem tomadas medidas.

O alerta é de António Guterres, que explica como o conflito poderá provocar uma escassez global de alimentos, com os países mais pobres a serem os primeiros a ser prejudicados.

“A invasão russa na Ucrânia está a ampliar e acelerar todos estes fatores: alterações climáticas, covid-19 e desigualdade. Ameaça levar dezenas de milhões de pessoas para o limiar da insegurança alimentar, seguida de desnutrição, fome em massa numa crise que poderá durar anos”, afirmou António Guterres.

Um alerta partilhado também pelo FMI, com a diretora executiva Kristalina Georgieva a afirmar que a insegurança alimentar vivida em muitos países aliada à elevada inflação poderá levar a situações de fome que podem “desencadear agitação social e violência”.

O conflito levou ao corte abrupto de fornecimento de cereais oriundos da Ucrânia sendo que a ONU estima que cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão atualmente retidos no país desde a última colheita e que se estes fossem libertados poderiam aliviar a pressão nos mercados globais.

“A Rússia tem de permitir a exportação segura de trigo armazenado nos portos ucranianos. Rotas alternativas podem ser exploradas, mesmo sabendo que por si só, não sejam suficientes para resolver o problema. As restrições sobre os alimentos e fertilizantes russos devem cair e estes devem ter acesso livre aos mercados mundiais”, apelou o secretário-geral da ONU.

Escassez de cereais

Rússia e Ucrânia são responsáveis pela produção de cerca de 30 por cento da oferta mundial de trigo mas o conflito cortou o abastecimento dos portos ucranianos.

Com as exportações em baixo e de acordo com a ONU, os preços globais aumentaram cerca de 30 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

O problema ganhou um destaque ainda maior depois de alguns países terem recusado exportar a sua produção interna com receios de escassez, como a Índia e a Indonésia, que bloqueou as exportações de óleo de palma.