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Hospital começa a desligar máquinas de tetraplégico francês

Caso do enfermeiro Vincent Lambert, um tetraplégico em estado vegetativo, tornou-se símbolo da discussão sobre morte digna em França.

2 Julho, 2019 - 18:11

Record TV com Lusa

“O processo de acabar com os tratamentos [de alimentação e hidratação por máquina] começará hoje”, anunciou o chefe da equipa médica que trata Lambert.

A decisão foi tomada pelo hospital na sexta-feira à tarde, dia que o Supremo Tribunal de França admitiu a hipótese de parar os tratamentos.

“Estamos muito contentes”, disse a defesa de Rachel Lambert, mulher de Vincent, que tem, há vários anos, um processo judicial contra os seus sogros, católicos conservadores, que se opõem a deixar o filho morrer.

Lambert não deixou por escrito um testamento vital e a sua situação converteu-se em França num símbolo do debate sobre a morte digna.

O homem sofreu um acidente de viação em 2008 que o deixou tetraplégico e totalmente dependente. Em 2011, os médicos afastaram qualquer possibilidade de melhorias e em 2014 o seu estado foi classificado como vegetativo.

O hospital já tentou três vezes obter autorização para parar o tratamento, mas as ações judiciais interpostas pelos pais impediram sempre o avanço do processo.

A última vez que foi iniciado o protocolo para deixar Vicent Lambert morrer foi em maio, mas os pais voltaram a recorrer ao tribunal e o procedimento foi suspenso com uma sentença invalidada na sexta-feira pelo Supremo Tribunal.

Nesse dia, a defesa dos pais ameaçou denunciar o médico Vincent Sánchez por “homicídio premeditado” caso este ativasse o processo e, na segunda-feira, a mãe lançou um apelo ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para evitar a aplicação de “eutanásia por incapacidade cerebral”.

Na mensagem sobre a decisão enviada a cada membro da família de Vincent Lambert, o médico apela a que “cada um mostre responsabilidade” para que “o acompanhamento de Vincent seja o mais pacífico, íntimo e pessoal possível”.

O protocolo médico prevê nomeadamente “uma cessação dos tratamentos” e a administração de “uma sedação profunda e contínua”.

A família Lambert luta entre si há 10 anos devido a esta decisão: a mulher é apoiada por seis irmãos e irmãs e pelo sobrinho de Vincent, defendendo que se deve pôr fim ao tratamento obrigatório e lembrando que, antes do acidente, o doente era enfermeiro e desejou sempre nunca se tornar numa vítima.

Os pais, Viviane e Pierre Lambert, fervorosos católicos próximos de meios fundamentalistas, e outros dois dos seus filhos consideram, por seu lado, que Vincent está deficiente, mas “não morto nem transformado em vegetal”, e pedem que seja transferido para uma instituição especializada.

“Espero que isto seja o epílogo” de uma história já longa, admitiu à agência de notícias francesa AFP uma das irmãs de Vincent, Marie-Geneviève Lambert, favorável a que as máquinas sejam desligadas.

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