Kremlin estava preparado para crise alimentar antes da invasão

Kremlin estava preparado para crise alimentar antes da invasão

Eclosão do conflito na Ucrânia aconteceu há praticamente três meses.

O conselheiro do Kremlin Maxim Orechkine revelou a um fórum de jovens em Moscovo que “a principal causa da fome mundial que vai ocorrer este ano são as medidas económicas irrefletidas dos Estados Unidos e da União Europeia”, referindo-se às sanções que atingiram a Rússia, minando a sua capacidade de exportar fertilizantes e trigo.

O responsável, citado pelas agências russas, sublinhou que o Presidente russo, Vladimir Putin, tinha preparado o país para as consequências de uma crise alimentar mundial já no final de 2021, ou seja, antes da ofensiva contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, que Moscovo negou estar a preparar na altura, quando os receios de um conflito já faziam disparar os preços mundiais dos alimentos.

“Vladimir Vladimirovitch [Putin] compreendeu que estas questões [alimentares] poderiam afetar a Rússia. Assim, já no final do ano passado, começámos a preparar ativamente a Rússia para a fome mundial”, vincou.

Na altura, a Rússia enfrentava a inflação dos preços dos alimentos e introduziu restrições ou impostos sobre as exportações de cereais, petróleo e fertilizantes.

“Isto permite-nos estar confiantes”, disse hoje Orechkine.

Segundo Moscovo, não foi a invasão do seu exército à Ucrânia – um dos maiores exportadores de trigo no mundo – que causou uma crise alimentar, mas sim as sanções ocidentais em retaliação à ofensiva russa.