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Milhões de crianças poderão não ser vacinadas em África

OMS alerta que é fundamental prosseguir com a vacinação contra a poliomielite e contra o sarampo durante a pandemia de covid-19.

21 Novembro, 2020 - 12:03

Record TV com Lusa

Milhões de crianças, especialmente na Nigéria, o país mais populoso de África, correm o risco de não serem vacinadas contra a poliomielite e o sarampo devido à covid-19, advertiram hoje a UNICEF e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“É essencial enfrentar a pandemia global da covid-19. No entanto, outras doenças mortais”, como a poliomielite e o sarampo, “também ameaçam a vida de milhões de crianças em algumas das partes mais pobres do mundo”, advertiu o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a OMS, através de uma declaração conjunta emitida hoje em Abuja, a capital nigeriana.

Nos últimos anos, tem havido “um ressurgimento global de sarampo, com epidemias em curso em todas as regiões do mundo”. As lacunas na cobertura da imunização foram ainda agravadas em 2020 pelo covid-19”, segundo a UNICEF e a OMS, que apelam a uma “ação urgente” por parte dos doadores e decisores políticos mundiais.

A situação na Nigéria, com uma população de quase 200 milhões de habitantes, é preocupante: embora o país tenha sido certificado livre de poliomielite selvagem em agosto de 2020, “permanece exposta ao risco de surtos de poliomielite e sarampo”, de acordo com as duas organizações.

Apenas 54% das crianças na Nigéria, por exemplo, receberam a primeira dose de vacina contra o sarampo, de acordo com os dados de 2018.

Na segunda-feira, as autoridades nigerianas anunciaram um súbito pico nos casos e mortes por febre amarela, uma doença mortal, mas para a qual existe uma vacina, em duas regiões do sul. Na vizinha região de Benue, pelo menos 17 pessoas morreram nos últimos dias de uma doença ainda desconhecida, segundo noticiaram hoje os meios de comunicação locais.

O país tem sido até agora relativamente poupado pela pandemia do novo coronavírus, que oficialmente matou 1.154 pessoas em mais de 64.000 casos registados, mas o número de testes é largamente insuficiente.

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