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Milionário chinês detido por abuso sexual de menores

Casos de abuso sexual infantil na China são punidos com, pelo menos, cinco anos de prisão.

11 Julho, 2019 - 12:31

Record TV com Lusa

A polícia de Xangai deteve duas pessoas por abuso sexual de menores e a imprensa estatal identificou uma delas como um milionário chinês do sector da construção e membro do principal órgão consultivo do Governo chinês.

O caso recebeu vasta cobertura na imprensa estatal, inclusive da emissora CCTV, numa aparente tentativa de chamar a atenção para o que se crê ser um crime generalizado, mas pouco falado no país.

Um comunicado das autoridades de Xangai informa que promotores do distrito de Putuo ordenaram a prisão formal, esta semana, de duas pessoas, identificadas apenas pelos sobrenomes, Wang e Zhou.

O jornal oficial do Partido Comunista Global Times identificou Wang como sendo Wang Zhenhua, o ex-presidente da Seazen, uma das maiores construtoras da China.

A empresa anunciou que Wang foi substituído pelo filho no início do mês.

Jornais de Xangai alegam que Wang terá abusado de uma menina de nove anos.

A CCTV, a principal emissora do Governo, pediu uma investigação completa e citou a imprensa local, que identifica o detido como o ex-presidente da Seazen Holdings.

O poderoso Comité Central do Partido Comunista para Assuntos Políticos e Jurídicos, que supervisiona a polícia e tribunais do país, emitiu um comentário no fim de semana a declarar que “a agressão sexual contra crianças certamente será tratada pela espada da lei, sem exceções”.

O comentário citou os relatos na imprensa que referem o construtor e aponta que “não vale a pena fingir que ele não é a pessoa envolvida no caso de abuso sexual”.

Na segunda-feira, a filial de Xangai do principal órgão consultivo da China, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, informou que revogou a filiação de Wang, sem detalhar o motivo.

A Seazen Holdings, que é a oitava maior empresa do sector imobiliário da China, divulgou mais tarde um pedido público de desculpas, referindo que “qualquer ação que magoe jovens deve ser punida severamente pela lei”.

Os números sobre crimes de abuso sexual na China são escassos, mas especialistas concordam que o fenómeno é provavelmente mais vasto do que o reportado.

Os tribunais do país lidaram com 11.519 casos envolvendo abuso sexual de menores entre o início de 2015 e novembro de 2018, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Shang Xiaoyuan, diretor do centro de pesquisa da Família e da Criança da Universidade Normal de Pequim e diretor do Conselho de Proteção às Crianças da China, aponta estudos que estimam que 1% de todas as crianças chinesas foram violadas.

A organização de assistência social chinesa Girls’ Protection indica num relatório recente que os casos tornados públicos são “apenas a ponta do iceberg”.

Nas últimas duas décadas, centenas de milhões de pessoas mudaram-se do interior da China para as cidades prósperas do litoral, deixando dezenas de milhões de crianças abandonadas nas áreas rurais, o que torna o abuso sexual difícil de controlar, argumentou Shang.

Casos de abuso sexual infantil na China são punidos, em média, com cinco anos de prisão, mas se houver mais do que uma acusação, a pena pode subir para 15 anos.

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