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Quebra de ajuda alimentar a Moçambique em agosto

Rede de Alerta Antecipado de Fome prevê quebra na ajuda alimentar aos 714 mil deslocados de Cabo Delgado.

10 Junho, 2021 - 16:04

Record TV com Lusa

A Rede de Alerta Antecipado de Fome (rede Fews, sigla inglesa) prevê para agosto uma quebra na ajuda alimentar aos 714.000 deslocados de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e respetivas famílias de acolhimento, segundo uma análise consultada pela Lusa.

“Uma quebra antecipada no fornecimento de assistência alimentar em agosto pode vir a reduzir as quantidades distribuídas, agravando a insegurança alimentar se não foram aplicados recursos adicionais”, lê-se no documento.

“Atualmente, o Programa Alimentar Mundial (PAM) dispõe de recursos para prestar assistência alimentar até julho de 2021”, sublinha.

Em causa está o facto de “a situação humanitária em Cabo Delgado estar a agravar-se, nomeadamente em áreas ainda inacessíveis às organizações humanitárias”, nota a rede.

Por outro lado, em áreas mais seguras, “a contínua chegada de deslocados está a sobrecarregar cada vez mais as famílias de acolhimento e a capacidade da resposta humanitária”.

O total de deslocados após o ataque a Palma, vila junto ao projeto de gás natural, a 24 de março, ultrapassou os 60.000, segundo dados da Organização Internacional das Migrações (OIM).

Segundo dados de abril, o PAM prestou assistência durante aquele mês a 548.091 deslocados do conflito no norte, que sem encontram em diferentes distritos das províncias de Cabo Delgado e Nampula.

A Fews, Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome, agrega organizações norte-americanas e serve como ferramenta de auxílio à ação humanitária.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o Governo moçambicano.

Um ataque a Palma, junto ao projeto de gás em construção, a 24 de março provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado.

As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.

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