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Planeta Record

‘Câmera Record’ vai percorrer as cidades mais violentas do Brasil

A equipa do programa vai conversar com pessoas que vivem em áreas onde habitualmente há tiroteios e revela que são as vítimas neste perigoso conflito urbano.

17 Setembro, 2021 - 09:30

Record TV Europa
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Neste domingo (19.09),o ‘Câmara Record’ percorre as cidades mais violentas do país para ouvir pessoas que estão no meio do fogo cruzado e revela, ainda, ‘quem mata e quem morre’ nesta guerra urbana.

A violência explodiu no país, de acordo com o último levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Principalmente, nas cidades do Nordeste e nas regiões Metropolitanas. Esta realidade difere dos dados anteriores, que colocavam as capitais nas primeiras posições.

As razões para o crescimento da violência no ano de 2020, de acordo com a informação atual, são os confrontos entre fações pelo domínio de territórios para venda de droga; abuso e assassinato de mulheres; e mortes em operações policiais.

Durante 15 dias, os repórteres Marcus Reis, Gisele Barbieri e Leonardo Medeiros percorreram os municípios considerados, pelos dados oficiais, os mais perigosos, para registar histórias de quem vive sob o fogo cruzado e já perdeu familiares nesta guerra urbana. A edição é de Mariana Ferrari.

Caucaia (Ceará)

É considerada a cidade mais violenta do país.

Caucaia tem pouco mais de 360 mil habitantes e viu a violência aumentar assustadoramente em 2020, de acordo com o último levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Para se ter uma ideia, no ano passado, 360 pessoas foram assassinadas no município, que fica na região Metropolitana de Fortaleza – quase uma por dia. Uma média de mais de 98 mortes por cada 100 mil habitantes, um índice bem superior ao nacional, que é de 23 mortes.

Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro estão abaixo da taxa brasileira. Esses dados alarmantes traduzem as consequências de uma guerra sangrenta entre fações pelo domínio de bairros para venda de droga. Mesmo quem não tem nada a ver com as quadrilhas paga um preço alto.

Um vídeo obtido com exclusividade pelo programa ‘Câmera Record’ mostra 50 famílias a serem expulsas de casa por ordem de bandidos. Tiveram de sair às pressas num comboio de camiões.

Uma moradora, que não se quis identificar, recebeu o recado para deixar tudo para trás, por telefone. “Se eu não saísse da minha própria casa ele ia matar-me”.

Os repórteres entraram no bairro ‘fantasma’ e vão mostrar no programa como é que os criminosos loteiam territórios.

Nossa Senhora do Socorro (Sergipe)

O estado e a cidade onde existem mais ocorrências de feminicídios e abuso de mulheres.

No ano passado, das mais de 50 mil mortes violentas no Brasil, 1 350 eram feminicídios. Na maioria das vezes, quem mata são os parceiros ou ex-companheiros das vítimas.

Em Sergipe, as tentativas de feminicídio subiram 246%, em relação ao levantamento anterior. Perto da capital, Aracaju, fica Nossa Senhora do Socorro, com quase 190 mil habitantes. Nesta cidade registou-se uma taxa de 68 mortes de mulheres por cada 100 mil habitantes.

Valdicleide sofreu 25 anos de agressões no casamento. “Ele dava-me empurrões, batia-me e dizia que me ia matar. Já correu atrás de mim com uma faca”, conta. A mulher só escapou da violência porque o marido morreu de covid, recentemente.

A equipa também registou o trabalho da patrulha Maria da Penha, formada por guardas municipais. Sete mulheres são assistidas pelo projeto.

Feira de Santana e Salvador (Bahia)

Municípios com mais mortes envolvendo operações policiais.

O programa ‘Câmera Record’ teve autorização para acompanhar no terreno o Grupo de Operações Especiais, em Salvador. Foram muitas horas de perseguição, ora por estradas de terra, ora por asfalto, a 30 bandidos, que se esconderam na mata.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais de 1 100 vítimas perderam a vida em intervenções policiais no estado.

Numa comunidade da capital, duas pessoas da mesma família morreram durante operações da polícia num intervalo de sete meses. “Eles chegaram a atirar, eles mataram o meu filho de sete anos, o meu único filho “, afirma a mãe, que não quis identificar-se. A Procuradoria abriu um inquérito para apurar o caso.

A tia da criança também perdeu a vida numa ação policial, a poucas ruas de distância. Viviane, de 33 anos, conversava com a vizinha quando as duas foram baleadas. Um vídeo mostra exatamente o momento em que os policiais colocam os corpos dentro da viatura. Elas morreram a caminho do hospital.

Não perca as reportagens de ‘Câmera Record’, aos domingos, às 22:45 (hora Lisboa/Londres), na Record TV Europa.

 

 

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