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Portugal

António Costa promete nova Geringonça

Secretário-geral do PS considera que há condições políticas para repetir uma solução de Governo à esquerda, desta vez até alargada ao PAN e Livre, mas avisou que estabilidade é uma responsabilidade partilhada.

7 Outubro, 2019 - 09:26

Record TV com Lusa
Reuters

Nas eleições legislativas de domingo, o PS obteve 36,6% dos votos, elegendo para já (sem os dois círculos da emigração) 106 deputados – um “score” que ficou um pouco distante dos 116 necessários para uma maioria absoluta no parlamento.

Logo à chegada ao Hotel Altis, em Lisboa, uma hora antes do encerramento das urnas, António Costa preveniu que, ao longo da campanha eleitoral, nunca o seu partido colocara como meta a maioria absoluta, tendo antes pedido aos portugueses um reforço da posição política dos socialistas.

Já depois da meia-noite, com os resultados quase todos fechados, o líder do PS defendeu que o seu partido conseguiu todos os objetivos a que se propunha, aumentando em número de votos e de mandatos, tendo vencido em 15 dos 20 círculos eleitorais (perdeu só em Bragança, Vila Real, Leiria, Viseu e Madeira).

O secretário-geral do PS sustentou também a tese de que Bloco de Esquerda e PCP “consolidaram as suas posições” face a 2015 – o que no caso do PCP não é objetivamente assim, já que baixou – e, em seguida, procurou destacar a derrota do PSD e do CDS-PP nas eleições deste domingo.

“O PSD e CDS-PP, mesmo com o reforço da Iniciativa Liberal e do Chega, tiveram a maior derrota histórica da direita em Portugal.”

Os resultados dos sociais-democratas e dos centristas, prosseguiu o secretário-geral do PS, “expressam seguramente o facto de não terem apresentado uma alternativa credível” e mostram também “a rejeição que os portugueses fazem de uma campanha eleitoral assente em casos e ataques pessoais”.

Aparentemente, o resultado destas eleições indicia que o PS consegue mais facilmente maiorias no parlamento, bastando para tal que o PCP ou o Bloco de Esquerda apoiem um diploma em votação. Mais ainda, com um número superior de deputados em relação ao PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega somados, o Governo socialista, para cair a meio da legislatura, isso só poderá acontecer se Bloco de Esquerda e PCP se juntarem às forças da direita parlamentar.

Mas nem por isso António Costa afastou o cenário de o seu próximo Governo nascer “com as mãos atadas”, algo que afirmou temer após estas eleições legislativas.

Na madrugada de segunda-feira, António Costa ouviu o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que se demarcou de um eventual novo acordo escrito (posição conjunta) com o PS, e a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que, para os socialistas, abriu um pouco mais a porta, mas deixou desde já um caderno de encargos ao primeiro-ministro.

Por isso, o secretário-geral do PS aproveitou para enviar uma série de recados para as forças à sua esquerda: O “caderno de encargos” mais votado foi o do PS e não os do PCP ou do Bloco de Esquerda; um seu Governo nunca aceitará colocar em causa a credibilidade externa do país (numa alusão à consolidação orçamental); a sua prioridade será repetir a “Geringonça”, até porque os portugueses “gostaram dela” e “desejam a sua continuidade”; mas a responsabilidade pela estabilidade política não é só do PS, sendo antes partilhada.

Neste ponto, o líder socialista especificou mesmo que a responsabilidade do Bloco de Esquerda em assegurar a estabilidade é maior, porque fez a campanha eleitoral com o objetivo de impedir uma maioria absoluta do PS.

Ou seja, se na esquerda houver abertura para repetir a solução política de 2015, António Costa afirma que isso “é excelente”. Mas se não houver abertura, então terá de “procurar caminho” para assegurar essa estabilidade política que considera essencial.

Embora sem falar na hipótese de reeditar a solução governativa encontrada por António Guterres em 1995, com acordos pontuais à esquerda ou à direita, António Costa referiu que, se não houver vontade à esquerda para uma solução política, procurará “dia-a-dia” a estabilidade necessária ao país.

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