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Portugal

Cerca de um quarto dos jovens aceita controlo e violência sexual no namoro

Um estudo realizado a cerca de cinco mil jovens portugueses com uma média de 15 anos de idade revela que cerca de um quarto dos menores de idade legitima estes comportamentos no namoro.

14 Fevereiro, 2019 - 15:01

Record TV com Lusa
Pixabay

Segundo um estudo divulgado hoje, no Dia dos Namorados, pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e pela secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, 27% dos jovens portugueses “não reconhece que o controlo” é uma forma de violência no namoro e 24% não reconhece que a violência sexual é também um ato de violência numa relação íntima de namoro.

O controlo pode revelar-se em proibições de sair sem o companheiro(a), de estar a falar com um amigo (a), obrigar a vestir uma determinada peça de roupa, obrigar a fazer algo que não se quer, refere o documento.

A proibição mais aceite pela maioria dos menores de idade inquiridos é a “proibição de vestir uma determinada peça de roupa”, um comportamento que 36% dos (as) jovens não consideram violência.

A violência sexual nas relações de intimidade apresenta-se geralmente sob a forma de “coação, abuso ou violação” e este estudo indica que 24% dos jovens portugueses legitimam a violência sexual nas relações de namoro e 13% legitimam a pressão para ter relações sexuais.

“É quase um em cada quatro jovens que não reconhece que a violência sexual é um tipo de violência”, alerta a investigadora Cátia Pontedeira, referindo que essa legitimação poderá perpetuar-se nas relações em idade adulta.

A perseguição durante ou após o relacionamento íntimo é outro tipo de violência que os jovens portugueses mais legitimam (24%) e esse abuso pode justificar-se pela “cultura patriarcal como demonstrações de amor romântico”, refere o estudo.

Do total da amostra, 16% dos jovens menores de idade de Portugal não reconhecem que a violência psicológica é uma forma de violência na intimidade, e que por norma aparece em forma de insulto durante uma discussão ou zanga.

O estudo também revela que 9% dos jovens participantes no estudo naturalizam a violência física, que inclui várias formas de agressão corporal que pode ou não deixar marcas ou feridas.

O estudo “Violência no Namoro” com resultados nacionais de 2019 foi coordenado por Maria José Magalhães e contou com 17 investigadoras.

Trata-se de estudo representativo, que inclui a participação de 4.938 jovens de todos os distritos portugueses, incluindo Açores e Madeira, entre os 11 e os 20 anos de idade, com uma média de idade de 15 anos, onde 70% afirmaram já ter estado num relacionamento amoroso de “namoro ou ocasional”.

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