Crise na Saúde: Médicos e Governo sem acordo

Médicos investigados por falsas presenças
Karolina Grabowska Pexels.com

Sindicato Independente dos Médicos diz que medida sobre remunerações dos clínicos em serviço de urgência não ajuda a fixar médicos no SNS.

Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendeu esta quarta-feira que a medida do governo sobre as remunerações dos clínicos em serviço de urgência não vai permitir ultrapassar as dificuldades para fixar os médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Os médicos não podem ser empurrados a fazer mais horas extraordinárias. Já fizeram mais de oito milhões no ano passado, na prática, houve muitos médicos que já fizeram 300 horas extraordinárias e isso quer dizer que trabalharam mais 40 dias e não faz sentido nenhum que sejam incentivados a fazer ainda mais”, referiu à agência Lusa o secretário-geral do SIM, Roque da Cunha.

O dirigente falava no final da segunda reunião entre os sindicatos dos médicos e o Ministério da Saúde, que terminou sem acordo, mas que, segundo a ministra Marta Temido, o governo vai avançar com a proposta para o pagamento de 50 euros à hora, para as horas suplementares.

A reunião na noite de quarta-feira entre tutela e estruturas sindicais incidiu sobre a proposta do governo sobre as remunerações dos clínicos em serviço de urgência, no sentido de resolver o encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia de hospitais de vários pontos do país nos últimos dias, por dificuldades em assegurar escalas de médicos.

Para Roque da Cunha, esta medida não permite “ultrapassar as dificuldades em termos de fixação dos médicos no SNS”.

“Não podíamos estar de acordo com uma medida que é meramente especifica e pontual. Quem tem o poder é o governo, portanto é o governo que vai decidir e este assunto está encerrado”, frisou.

O secretário-geral do SIM referiu que com o SNS sem ser competitivo com os privados ou outros países da União Europeia, é necessário “encontrar forma do SNS não perder permanentemente médicos”.