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Portugal

Escolas encerradas por todo o país

Greve de pessoal não docente foi convocado pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

29 Novembro, 2019 - 10:09

Virginia Galván
Lusa

A greve nacional dos trabalhadores não docentes, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, encerrou escolas um pouco por todo o país.

Os funcionários estão em protesto contra a falta de pessoal nas escolas e exigem a contratação imediata de mais 6 mil funcionários para os quadros e o fim do processo de descentralização das escolas públicas.

Está também marcada uma concentração em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa.

Pela primeira vez na história da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Benfica, Lisboa, uma greve encerrou o estabelecimento de ensino, constatou a Lusa no local.

Pelas 08:40, o diretor do Agrupamento de Escolas de Benfica, Manuel Esperança, dirigiu-se às dezenas de alunos que se juntaram no auditório do Bloco C da escola para os informar de que, pela primeira vez na história do estabelecimento de ensino, poderiam ir embora porque não havia aulas.

“Não vamos ter aulas hoje, mesmo que venham um ou dois funcionários, que não devem vir”, disse Manuel Esperança num auditório ainda às escuras, recebendo de volta aplausos de contentamento dos alunos.

Nas poucas palavras que dirigiu aos alunos, o diretor do agrupamento pediu ainda: “Tenham juízo. Vão sair e vão para as vossas casas, não quero que nada de mal vos aconteça”.

A Escola Secundária José Gomes Ferreira fez a 20 de novembro 39 anos e nunca tinha encerrado por completo em qualquer greve de pessoal docente ou não docente.

Manuel Esperança, que está há quase 30 anos no agrupamento, remeteu para mais tarde um balanço sobre as escolas do agrupamento.

Na Escola Básica 1,2,3 e J.I. Pedro de Santarém, também em Benfica, a greve do pessoal não docente impediu o funcionamento das aulas para os 2.º e 3.º ciclos.

Preso aos portões da escola, que pelas 08:45 estavam fechados com grupos de alunos à porta, um cartaz informava pais, encarregados e educação e alunos: “Em virtude da greve do pessoal não docente informamos que a escola não reúne as condições para assegurar as atividades letivas aos alunos do 2.º e 3.º ciclo”.

Dezenas de escolas do distrito do Porto estão encerradas, disse à Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

“Já sabemos [às 08:45] de mais de duas dezenas de escolas encerradas no distrito do Porto. Embora ainda seja cedo para recolher todas as informações, temos conhecimento de mais de 20 escolas encerradas só aqui no Porto”, disse Orlando Gonçalves.

Segundo o dirigente sindical, a expectativa é que “a esmagadora maioria das escolas portuguesas hoje feche por uma razão muito simples, a greve foi pedida pelos trabalhadores”.

“Este novo Governo, que tomou posse há pouco mais de um mês, não faz uma única referência no seu programa de governo, de 196 páginas, ao pessoal não docente da educação. Fala muito na estabilidade do quadro docente, o que nós achamos importante e que é necessário, mas a estabilidade do quadro não docente é tão importante como a do pessoal docente”, acrescentou.

Considerou ainda que “o facto de o Governo nem sequer falar nestes trabalhadores além de ser uma falta de respeito demonstra que não tem interesse em resolver esta situação”.

“Pelas nossa contas, seriam precisos entre cinco e seis mil trabalhadores a nível nacional para que as escolas funcionassem devidamente. Entre 2010 e 2018 sairiam 12 mil trabalhadores e, desde então, poucos foram contratados”, frisou.

Orçando Gonçalves falava à porta da Escola Secundária Clara de Resende, que hoje encerrou e onde ao início da manhã se concentravam pais e alunos a aguardar a informação sobre o encerramento ou não do estabelecimento de ensino.

À hora de abertura dos portões foi afixado um papel informando do encerramento da escola, o que deixou alunos satisfeitos e país contrariados, embora alguns tenham dito aos jornalistas que entendem as razões.

Entre os alunos havia quem desconhecesse o motivo da greve, quem a confundisse com a greve pelo clima e quem inventasse a teoria de que “os funcionários fazem greve por causa da Black Friday”.

Manuel Lima e Maria Duarte, alunos do 7.º ano, da Escola Fontes Pereira de Melo – que também encerrou – localizada a poucos metros da “Clara de Resende”, aguardavam a chegada dos pais para regressar a casa.

Questionados sobre as razões da greve disseram: “Funcionários insatisfeitos com salários e condições de trabalho”.

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