Gastos com fármacos hospitalares batem recorde

Gastos com fármacos hospitalares batem recorde
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A despesa com medicamentos nos hospitais públicos registou o maior aumento de sempre. Os fármacos inovadores, sobretudo na área da oncologia, são os grandes responsáveis. 

No final do ano passado, todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde viram a fatura com medicação aumentar. No global, mais de mil 558 milhões de euros foram gastos pelas unidades de saúde públicas em 2021. Uma subida de 20 pontos percentuais, ou seja, de 260 milhões face a 2019, ano pré pandemia, o que se traduz num valor recorde e na maior subida de sempre deste encargo. Se compararmos com o ano anterior, 2020, a subida é também significativa, de quase 16 pontos percentuais.Os medicamentos inovadores, ligados sobretudo à área da oncologia, são os grandes responsáveis. Representam quase um terço da despesa total, com mais de 500 milhões de euros.

Mas outras patologias que comportam produtos farmacêuticos muito caros ajudam também a fazer crescer esta despesa: a atrofia muscular espinal, a artrite reumatoide, a psoríase e a doença inflamatória do intestino. A larga maioria dos medicamentos, mais de 80%, diz respeito a tratamentos feitos fora do hospital ou em consulta externa, e não a internamentos, bloco operatório ou urgência.

Os dados são do Infarmed e foram revelados esta semana pelo Jornal de Notícias. Olhando mais detalhadamente para o relatório, conclui-se que o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que integra o Santa Maria e o Pulido Valente, gastou quase o dobro do hospital de S. João, de dimensão semelhante e que engloba a unidade do Porto e também a de Valongo.

A verdade é que de a despesa com medicamentos nos hospitais públicos tem vindo sempre a crescer desde 2014 e a tendência é para piorar.