Hoje é dia de greve nacional

Hoje é dia de greve nacional

Paralisação vai afetar educação, saúde, finanças, segurança social e autarquias.

A Frente Comum convocou para hoje uma greve nacional, esperando uma “grande adesão” ao protesto.

Segundo disse à Lusa o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, os efeitos da greve começaram a sentir-se ao final do dia de ontem em áreas “como a recolha de resíduos sólidos e nos hospitais”, uma vez que a greve começa no início dos turnos destes trabalhadores.

Hoje, a paralisação vai afetar serviços da educação, saúde, finanças, segurança social e autarquias, mas também áreas com menor visibilidade por não terem atendimento ao público, como “centros de processamento, serviços centrais ou o centro nacional de pensões, disse o sindicalista.

Os serviços municipais de recolha de lixo foram os primeiros a ser afetados pela greve nacional da administração pública, disse hoje o coordenador da Frente Comum de Sindicatos nos Estaleiros Municipais da Amadora.

“Vai haver com certeza escolas encerradas em todo o país e perturbações nas consultas nos hospitais” na sexta-feira, afirmou Sebastião Santana, realçando que os pré-avisos de greve são entregues com 10 dias da antecedência para garantir em determinados serviços um menor impacto para a população.

Frente Comum espera “grande adesão”

A Frente Comum espera “uma grande adesão” à greve perante o “descontentamento” face às negociações com o Governo sobre os aumentos salariais para 2023.

“O Governo entrou nas negociações com um aumento de massa salarial em 5,1% e um aumento médio das remunerações de 3,6% e anda dois meses a dizer que negoceia para acabar com os mesmos montantes com que começou, portanto, não resolve problema nenhum”, acusou o líder sindical.

Sebastião Santana disse que praticamente todas as 30 estruturas da Frente Comum entregaram pré-avisos de greve para sexta-feira, realçando no entanto que “todos os trabalhadores da administração pública, sindicalizados ou não, podem aderir” ao protesto.

Entre as estruturas da Frente Comum que emitiram pré-avisos de greve estão a Federação Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores da Administração Pública, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL).

Fenprof acredita que maioria das escolas vai fechar

O secretário-geral da Fenprof afirmou hoje que acredita que a maioria das escolas no país irá estar fechada devido à greve nacional, considerando que nos professores há “uma convergência muito grande” na necessidade de continuar a lutar.

“Penso que a maioria das escolas vai estar fechada, em particular as escolas do 2.º, 3.º ciclo e ensino secundário”, disse à agência Lusa Mário Nogueira, considerando que haverá ainda casos de estabelecimentos que procurem reafetar os poucos funcionários disponíveis para manter a escola aberta.

É o caso da Escola Secundária Quinta das Flores, em Coimbra, que ficará aberto apenas até às 14:30, e onde o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) se encontrava hoje de manhã.

“Tirando uma outra escola que abram de manhã, a maioria estará fechada”, asseverou Mário Nogueira, esperando níveis de adesão semelhantes à greve dos professores de 02 de novembro.

Segundo o dirigente sindical, “os motivos são mais do que justos” e a indignação face ao aumento do custo de vida torna-se mais visível.

“Quando ouvimos os governantes a afirmar que os funcionários públicos vão ter o maior aumento da década isso é verdade, mas esconde a verdade maior de que os funcionários vão ter a maior perda salarial da década. […] Eu diria que, quando tivemos uma inflação zero e um aumento zero tivemos uma perda menor do que agora com 2% ou 3% [de aumento] e uma inflação de 10%”, notou.

Segundo Mário Nogueira, face àquilo que tem ouvido em plenários que a Fenprof tem realizado pelo país, a opinião dos professores tem-se radicalizado, ao ponto de haver quem peça “uma greve por tempo indeterminado”.

“Isso mostra bem os níveis de indignação. A luta com certeza que irá continuar”, vincou.

Dentro das diferentes organizações sindicais dos professores, há também “uma convergência muito grande na apreciação da situação e na necessidade de desenvolver ações de luta mais fortes”, referiu.

A greve foi convocada para hoje, a uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), que prevê aumentos salariais de um mínimo de cerca de 52 euros ou de 2% para a administração pública no próximo ano.

A Frente Comum de Sindicatos exige aumentos salariais de “10% ou um mínimo de 100 euros” para a administração pública no próximo ano e acredita que ainda há tempo para negociar com o Governo, apesar da votação do OE2023 acontecer já na próxima semana.