Homem que ameaçou Marcelo era conhecido das autoridades

Homem que ameaçou Marcelo era conhecido das autoridades
Lusa/ António Pedro Santos
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O suspeito, considerado perigoso, já tinha ameaçado e extorquido o diretor da Polícia Judiciária e a Procuradora-Geral da República.

Marco Aragão, de 40 anos, é o homem detido suspeito de ser o responsável pela carta ameaçadora enviada ao Presidente da República a exigir um milhão de euros. No entanto, esta não foi a primeira vez que o terá feito. Há quatro anos, terá feito chegar ameaças dirigidas ao Diretor da Polícia Judiciária e à Procuradora-Geral da República. Todas elas com tentativas de extorsão, de 500 mil euros.

Na altura, o homem foi detido depois de insistir nas exigências e enviar novos emails, o que acabaria por ajudar a investigação da PJ a chegar à identificação do suspeito.

Conhecido por “Terrulas”, o homem foi levado a tribunal, onde terá ficado demonstrado que foi através do trabalho como funcionário na Segurança Social, que conseguiu aceder a dados pessoais de outros colegas, mas também de altas figuras do Estado.

As primeiras ameaças de “Terrulas” consistiam na divulgação de dados pessoais de Luís Neves e de Lucília Gago, caso não houvesse pagamento.

Só que a gravidade da situação foi desvalorizada, com o tribunal a considerar que Marco sofria de problemas mentais.

Foi condenado a pena suspensa por burla informática depois de aceder ilegalmente a ficheiros confidenciais, ainda que o tribunal o tenha obrigado a frequentar consultas de psiquiatra, algo que “Terrulas” não terá cumprido.

À época, Marco Aragão realizava um estágio para ingressar na carreira de inspetor superior na Inspeção-Geral da Saúde, do Trabalho e da Segurança Social. Antes disso, tinha sido oficial do exército miliciano.

Agora, voltou a realizar ameaças e apesar de a carta fazer referência a um contacto móvel e a uma conta bancária, os dados eram falsos. No envelope seguia uma munição para dar mais credibilidade à ameaça, algo que também fez na ameaça de 2019.

Dessa vez, no e-mail de extorsão disponibilizava um link em que era possível descarregar dados pessoais de funcionários da segurança social, para que os alvos pudessem acreditar que ele estava na posse de informações confidenciais dos visados.

Marco Aragão está agora indiciado por coação agravada a um órgão de soberania, tentativa de extorsão e posse de arma proibida.