Homicídio de Jéssica: Filho de “Tita” ouvido em tribunal

Homicídio de Jéssica: Filho de “Tita” ouvido em tribunal
LUSA/ Rui Minderico

O filho de Ana Cristina, também arguido no processo, disse em tribunal ver com regularidade a mãe e Inês Sanches juntas em Setúbal. Negou ter ouvido qualquer barulho ou choro vindo de casa dos pais nos últimos dias dois dias de vida de Jéssica. 

No segundo dia de julgamento do caso “Jéssica” em Setúbal há novos dados sobre a relação da alegada ama e da mãe da menina.

Eduardo Montes é o único arguido em liberdade a responder por um crime de violação agravado e um crime de tráfico de estupefacientes agravado. Esta manhã em tribunal admitiu ser consumidor de haxixe, mas disse nunca ter traficado ou consumido outra substância. Durante quase duas horas de audiência negou conhecer Jéssica Biscaia, admitindo apenas ter visto a menina em casa dos pais uma vez, uns meses antes da fatalidade e, na altura diz ter questionado a mãe, “Tita”, de quem era a criança e o porquê de estar ali.

Em tribunal negou ainda conhecer o pai da criança, Alexandrino Biscaia, que o Ministério Público diz ter sido “cliente” da família Justo na compra de droga.

Já sobre Inês Sanches admitiu conhecer e reconhecer laços de amizade entre a mesma, e a sua mãe e a irmã Esmeralda. “Vi-as muitas vezes juntas no café e a passear”, afirmou Eduardo Montes em tribunal.

Este arguido tem provas dadas em tribunal de que esteve ausente do país entre o dia 15 e o dia 18 de junho e que regressou sábado à noite a casa onde reside, no andar de cima da habitação onde as barbaridades terão acontecido neste período.

Perante o coletivo de juízes negou ter ouvido qualquer barulho durante os dias seguintes, de saber da permanência de Jéssica na residência dos pais e, muito menos, de a ter visto.

Deixou ainda claro em tribunal a fraca relação que tem com a mãe, explicando aos juízes que confia apenas no pai. “Ela era um pouco desacertada”, afirmou.

Já no final da audição o arguido afastou por completo o crime de violação de que é acusado.

No período da tarde começaram a ser ouvidas algumas das quinze testemunhas do processo. A pedido de duas delas a sua audição foi à porta fechada por temerem represálias por parte da família dos arguidos.