Jéssica estava sinalizada pela CPCJ desde bebé

Jéssica estava sinalizada pela CPCJ desde bebé
D.R.

Jéssica estava sinalizada pela CPCJ e tinha sido recentemente visitada pela segurança social. O Instituto de Apoio à Criança diz, no entanto, que faltou mais informação às autoridades.  

Desde bebé que Jéssica estava referenciada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Setúbal, mas nem sempre é fácil perceber as reais circunstâncias em que vivem estes menores.

“A comissão de Proteção de Setúbal terá chamado várias vezes esta mãe e por causa de não ter chegado a acordo ou de a mãe não comparecer é que enviou o processo para o Ministério Público, processo de promoção e proteção. E foi nessa sequência que a Segurança Social fez uma visita recentemente à família. Nestas situações geralmente as pessoas arrumam a casa, a casa fica jeitosa, quando lá vai a Segurança Social… Portanto, é muito difícil por causa da falta de cuidado ou de negligência chegar lá”, explicou à Record TV Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança.

Ninguém sabe se uma maior intervenção evitaria o desfecho final, mas o Instituto de Apoio à Criança acredita que neste caso faltou às autoridades informação preciosa, eventualmente vinda da vizinhança.

“Se esta assistente social que foi lá há 15 dias tivesse visto um ambiente perturbador, com certeza que teria reportado e o Ministério Público teria feito uma ação urgente. Agora, a vizinhança é que tinha mais elementos. E essas vizinhanças, essas pessoas que conheciam melhor, as pessoas que tinham elementos, informação relevante, é que deviam ter trazido essa informação ao Ministério Público, ao processo, até ao SOS Criança, que é anónimo e confidencia”, explicou.

Os suspeitos da morte da menina são nesta altura ama, o marido e a filha, mas a mãe poderá ser responsabilizada por outro tipo de crimes.

“Havia ali um certo desprendimento. Está-me a parecer que o facto de entregar uma criança tão pequenina, tão vulnerável, tão indefesa a uma pessoa que lhe estava a exigir dinheiro, quer dizer… Ela não podia!” explica a presidente do IAC. “E que dizia “não levas a criança se não me pagares” (porque se está acusada por sequestro ou por rapto, pode ter sido uma coisa deste tipo, não é….), então ela tem de participar às autoridades! Porque é o seu tesouro maior que está ali nas mãos de alguém em quem ela não pode confiar!”, afirmou.

Para a responsável, não houve propriamente falhas neste caso. E mesmo de uma forma geral, diz, tem havido cada vez mais acompanhamento de crianças em situações de perigo: só através da linha SOS criança, já foram avaliados mais de cem mil apelos, e a CPCJ tem em mãos um total de 70 mil processos.