Mais de 40% dos episódios de urgência são falsos

Mais de 40% dos episódios de urgência são falsos
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No ano passado, mais de 40% dos episódios de urgência foram falsos. O Algarve é a região com a taxa de atendimentos não urgentes mais elevada.

Numa altura em que as urgências um pouco por todo o país estão sobrecarregadas, os dados de 2021 relativos aos atendimentos urgentes, revelam que em mais de 40% dos casos não era necessário recorrer ao hospital.

Os dados são do relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde que indica ainda que é no Algarve que há mais situações de falsas urgências.

Segue-se a região do Alto Alentejo e de Lisboa. Em situação oposta está a área metropolitana do Porto, que é em todo o país, a região que tem menos falsas urgências.

Entre 2019 e 2021 houve um aumento de mais de 3% da taxa de atendimentos não urgentes em todo o país.

Por isso, antes de se deslocar a uma urgência de um hospital deve ter em atenção.

“Regra geral contactar a saúde 24. Quando há uma síndrome febril, deve-se medir a temperatura, hidratar, baixar a febre com os medicamentos habituais que nós temos em casa como o Paracetamol e primeira linha ou o Ibuprofeno. É normal nestas síndromes gripais as febres serem altas, é normal as dores no corpo, é normal as dores de garganta. Estas síndromes gripais não se tratam com antibióticos e não vale a pena ir para um serviço de urgência”, explica à Record TV Maria João Tiago, do Sindicato Independente dos Médicos.

Um dos conselhos para evitar aglomerados nas urgências dos hospitais é deslocar-se ao centro de Saúde. No entanto, o mesmo relatório destaca também que 11% dos inscritos em 2021 nos Cuidados de Saúde Primários não tinham médico de família. Se olharmos por regiões, o Norte é a que tem uma menor percentagem de inscritos em centros de saúde sem médico de família. Já Lisboa e Vale do Tejo é onde existem mais pacientes sem um médico atribuído.

A falta de médicos acaba por ser transversal e nos centros de saúde, há certas alterações que o sindicato independente dos médicos sugere para atrair mais profissionais.

“Flexibilidade horária, obviamente revisão da grelha salarial, condições de trabalho. É difícil para um interno que está no centro de saúde onde não tem impressora, onde não tem papel, onde muitas vezes não há as condições básicas ser atrativo ficar no serviço nacional de saúde”, conta Maria João Tiago.

O relatório refere ainda que todas as regiões do país apresentaram uma evolução negativa na falta de médicos de família.