Médicos investigados por falsas presenças

Médicos investigados por falsas presenças
Karolina Grabowska Pexels.com

Cerca de duas dezenas de médicos do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central estão a ser investigados por falsificarem presenças no serviço. A investigação do Ministério Público já decorre há 3 anos.

É preciso recuar a 2019, ano em que o Ministério Público começou a averiguar a denúncia de um clínico, que dava conta de que vários profissionais de saúde picavam o ponto uns pelos outros, enganando o sistema de controlo de assiduidade.

Na sequência desta queixa, a Polícia Judiciária efetuou buscas no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa, que engloba o Hospital de São José, de Santa Marta, D. Estefânia, Curry Cabral, dos Capuchos e a maternidade Alfredo da Costa, num universo de dois mil médicos.

Pelo menos 20 estão na mira das autoridades por falsas presenças, todos se mantêm em funções, mas ainda não foram formalmente acusados porque a investigação ainda está em curso. Podem vir a ser acusados de falsidade informática e burla.

De acordo com o jornal Público, a alegada fraude terá sido cometida através do fornecimento das palavras-chave de acesso à aplicação informática, através da qual é registada a rotina de cada médico.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central recusa-se a comentar o caso, que se encontra em segredo de justiça. No entanto, adianta que o grupo hospitalar tem, desde janeiro de 2019, um sistema de registo biométrico ao qual dá preferência mas que terá estado suspenso entre março de 2020 e novembro de 2021, em virtude da pandemia de Covid-19.

O registo de entradas e saídas através de passwords também se mantém disponível, devido à forte contestação dos profissionais de saúde que são contra o sistema biométrico.

Vários hospitais de Lisboa já aboliram o registo por palavras-passe, em linha com um despacho do Governo, de há 15 anos, que determinava que todas as unidades hospitalares portuguesas implementassem o controlo biométrico de assiduidade e pontualidade até ao final de 2007.