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Portugal

Operação Marquês: Futuro de José Sócrates é conhecido amanhã

Juiz Ivo Rosa vai anunciar se o ex-primeiro-ministro e outros 27 arguidos vão ou não ser levados a julgamento e por quantos crimes respondem.

8 Abril, 2021 - 14:14

Anabela Benedito

É com grande expectativa que o país aguarda a decisão desta sexta-feira. Na maior sala do Tribunal de Instrução Criminal do Campus de Justiça, o juiz Ivo Rosa vai anunciar se José Sócrates e outros 27 arguidos, sendo que 9 são empresas, vão ou não ser levados a julgamento e por quantos crimes respondem. É o maior processo de corrupção investigado pela Justiça Portuguesa até hoje. 

Para além do ex-primeiro-ministro que esteve ao leme do país entre 2009 e 2011, a Operação Marquês tem nomes bem sonantes da praça pública. O ex-presidente do BES Ricardo Espírito Salgado, o antigo ministro socialista e ex-banqueiro Armando Vara, os ex-líderes da PT Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o empresário Helder Bataglia e Carlos Santos Silva, alegado “testa de ferro” de Sócrates e também amigo de longa data.

José Sócrates está acusado pelo Ministério Público de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada. No total, o antigo primeiro-ministro que foi preso a 22 de novembro de 2014, quando regressava de Paris, está acusado de 31 crimes económico-financeiros, os também conhecidos crimes de colarinho branco.

Há uma dúvida que paira no ar e que pode pesar no desenrolar de todo o processo. Caso o juiz Ivo Rosa entenda que os crimes de corrupção devem cair porque a acusação assenta na presunção indiciária, a chamada prova indireta, todos os outros crimes de que Sócrates está incriminado podem ruir, como um castelo de cartas, pondo em causa o trabalho encadeado desenvolvido pela equipa de procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal. 

O Ministério Público argumenta, por exemplo, que o ex-governante recebeu 21 milhões de euros do grupo GES e mais 2,5 milhões do empresário Carlos Santos Silva, e três milhões dos negócios do grupo Lena. Ao todo terá recebido mais de 34 milhões de euros.

A acusação alega ainda que Santos Silva funcionou como “testa de ferro” na movimentação e entrega de dinheiro de origem ilícita a Sócrates. 

A defesa justifica que algumas transferências feitas pelo empresário eram apenas simples empréstimos de um amigo e que isso não é crime. Ao longo destes 7 anos, o ex-governante sempre afirmou que o caso não passava de um embuste com motivações políticas e sem provas. 

Qualquer que seja a decisão, a verdade é que terá consequências imediatas no jogo político, num ano marcado por eleições autárquicas. 

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