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Portugal

Segurança do cofre do Banco de Portugal em risco

by 18 Julho, 2019 - 13:35

Exclusivo Record TV
Os militares da GNR que garantem a segurança do cofre do Banco de Portugal não estão a ser pagos há vários meses. Os pagamentos realizados pelo Banco de Portugal ao Ministério da Administração Interna não estão a chegar aos militares. Um destes militares do Grupo de Intervenção e Ordem Pública (GIOP) revela à Record TV que a situação é insustentável.

by 18 Julho, 2019 - 13:35

Carla Pereira Dias
Record TV

É um dos complexos mais bem guardados do país e o Banco de Portugal só confia a segurança do cofre aos militares do Grupo de Intervenção e Ordem Pública da GNR. O serviço de alta segurança é pago pelo Banco de Portugal (BdP) ao Ministério da Administração Interna (MAI), que tutela a GNR, mas desde janeiro que os militares não têm recebido qualquer pagamento.

“O Banco não é o problema, a GNR não é o problema. Nós pensamos que o problema esteja no Ministério da Administração Interna por causa do protocolo. A GNR não consegue fazer nada. O nosso Comando não consegue fazer nada e está a passar outra vez um mau bocado porque os pagamentos não chegam às contas e isto começa a ser pior outra vez”, refere um militar que preferiu não ser identificado.

Os militares são escalados para este serviço. A cada escala ficam aqui em permanência durante os sete dias da semana. Aqui comem e dormem, para garantir que o dinheiro e o complexo do BdP estão protegidos. Um serviço que exige que os militares tenham despesas extra.

“Nós cada vez que estamos a fazer este serviço para o Banco de Portugal gastamos cerca de 80 euros por semana, em comida e não só. E então como não são acautelados os pagamentos, há camaradas que não têm meios para subsistir nesta situação. Os pagamentos estão atrasados. Já aconteceu no passado em certas situações estar mais de um ano sem pagarem, o que trouxe graves problemas financeiros a muitos elementos desta força”, acrescentou.

Sem mexidas desde 1995, o protocolo entre o BdP e o MAI esteve suspenso desde 2017 porque era urgente uma revisão do mesmo. Enquanto se faziam ajustes ao documento, os militares estiveram a trabalhar aqui no Carregado mas sem receber durante 12 meses. Durante esta ausência de pagamentos, a Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna chegou a ser questionada no parlamento sobre os atrasos.

O Governo tem atrasado as negociações com o objetivo de equiparar o serviço de alta segurança a um simples gratificado.

A Record TV sabe que o Banco de Portugal recusou e apenas aceita entregar a segurança do Complexo do Carregado aos elementos do GIOP, que há anos garantem a proteção do forte do Banco de Portugal.

O acordo devia estar fechado desde o ano passado mas o BdP esclarece em resposta às questões da Record TV que falta apenas a luz verde do Ministério da Administração Interna.

“A revisão do Protocolo em causa carece de regulamentação por Portaria, que está a ser ultimada pelo Ministério da Administração Interna”, diz o comunicado.

À Record TV, o Banco de Portugal diz ainda desconhecer quaisquer atrasos nos pagamentos.

“O Banco de Portugal não tem conhecimento de eventuais atrasos nos pagamentos aos militares que prestam serviço no Complexo do Carregado, que continuam a efetuar-se com base no Protocolo existente”, pode ler-se

Em causa está um novo protocolo que prevê uma atualização dos valores pagos por este serviço específico e de alta segurança, acordados com o Banco de Portugal. A remuneração de janeiro foi paga em junho ainda pelos valores antigos. Os militares temem que os atrasos persistam e que continuem sem atualizar os pagamentos.

A Record TV tentou obter respostas e esclarecimentos do Ministério da Administração Interna sobre este assunto. Do Gabinete do ministro Eduardo Cabrita chegou apenas um pedido para que fosse adiado o prazo de resposta, pedido ao qual a Record TV acedeu, mas ainda assim não recebemos nenhum esclarecimento até ao fecho desta reportagem.

 

 

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