Esta semana foi registada a temperatura mais alta de sempre em Inglaterra, com os termómetros a passarem os 40 graus. Uma situação que tem preocupado e surpreendido os ingleses.

“Lembro-me que por volta das 11:30 da manhã/meio dia um colega meu estar assim a olhar para a meteorologia como se estivesse a ver o mercado da bolsa. ‘Ah, 39.’ Quando bateu os 40: ‘Ah, chegámos aos 40. Estamos com 40 graus no Reino Unido, pela primeira vez’. Até se notou que houve assim um bocadinho de, não foi felicidade, mas tipo wow, isto nunca aconteceu. Claro que acabou por se falar do aquecimento global também. Acho que há um misto de curiosidade, de surpresa. Foi assim uma espécie de ‘abre olhos’. Será que isto vai começar a ser mais frequente? Como é que nos vamos adaptar a estas temperaturas, se realmente começarmos a ter 40 graus?”

Inês de Almeida mudou-se para Inglaterra há um ano e meio, mais precisamente para Fulham e durante os últimos dias tem assistido às consequências das altas temperaturas.

Calor extremo em Inglaterra
Inês de Almeida é portuguesa e vive em Inglaterra há ano e meio. Testemunhou de perto a onda de calor que derreteu o país nos últimos dias | © D.R.

“Londres tem mais de 10 milhões de habitantes e nas horas de ponta os transportes públicos estão sempre muito cheios e há sempre a possibilidade, como em qualquer altura do verão, de que as pessoas fiquem indispostas e desmaiem… E pelos vistos o serviço nacional de saúde esteve até sobrecarregado com situações desse tipo, de pessoas com doenças, que têm ainda mais dificuldades em suportar o calor. As casas também não são muito favoráveis para estas temperaturas. Estão mais preparadas para o frio, têm carpete para aconchegar, e ontem foi um bocadinho complicado para aguentar todo este calor nas casas… não havia vento.”

O calor extremo em Inglaterra não para de somar vítimas. Pelo menos cinco pessoas afogaram-se em rios, lagos e reservatórios do Reino Unido, na tentativa de se refrescarem. Os mais recentes problemas levam-nos até às pistas de aviação. Em Luton, junto a Londres, o piso derreteu e os voos foram mesmo cancelados.

“Luton teve de encerrar por umas longas horas, porque a pista estava a derreter e não havia condições para os aviões aterrarem. Curiosamente, a minha mãe estava a chegar e o avião dela sofreu um atraso de seis horas, porque não podiam partir da Escócia para aterrar. Não havia condições. Claro que também houve voos que foram desviados para outros aeroportos, mas é difícil conciliar todo este tráfego aéreo, que tem de ser repentinamente modificado. Foi o caos nos aeroportos.”

Efeitos das elevadas temperaturas 

Tal como em Portugal, também em Inglaterra os incêndios têm subido de tom nos últimos dias e o Governo apela sobretudo à precaução.

“Os maiores cuidados, como sempre, serão os cigarros, churrascos, não fazer atividades que envolvam fogo. Fogo de artifício também… Todas essas situações não devem acontecer. Contudo, houve fogos – inclusive um muito grande que chegou a habitações. Muitos comboios tiveram de ser cancelados, pois as linhas não podiam funcionar, ou porque havia fogos perto das linhas de comboio ou até mesmo porque estava demasiado quente e havia deformação nas linhas férreas.”

Por agora as temperaturas já estão a descer e até a chuva já decidiu dar um ar da sua graça. No entanto, o calor continua a provocar estragos num verão que o Reino Unido tão cedo não irá esquecer.