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A primeira controvérsia a ser conhecida foi a da alegada agressão de William, que terá acontecido em Nottingham Cottage, em Londres, antes de Harry e Meghan terem abandonado as funções reais. 

“Aconteceu tudo tão rápido. Tão rápido. Ele agarrou-me pelo colarinho, tirou-me o colar e atirou-me ao chão. Caí na tigela do cão, que se partiu nas minhas costas, os pedaços a cortarem-me. Fiquei ali por um momento, atordoado, então levantei-me e disse-lhe para sair”, contou o duque de Sussex no livro, citado pelo jornal britânico ‘The Guardian’, que teve acesso antecipado à publicação.

Em causa esteve, segundo o príncipe, uma discussão sobre Meghan Markle, com Harry a acusar o irmão de ter chamado a esposa de “difícil, rude [e] abrasiva”.

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A relação de William e Harry tornou-se tensa após o casamento do irmão mais novo com Meghan Markle | © Reuters

A suposta discussão já tinha sido ligeiramente abordada por Harry no documentário sobre os duques de Sussex, na Netflix, mas é o livro que oferece todos os detalhes.

Mas este não foi único tema entretanto conhecido. Várias fugas de informação levaram a notícias na imprensa britânica, mas o facto de o livro ter começado a ser vendido hoje, por engano, em Espanha, tornou a proteção da informação ainda mais difícil. A Sky News foi um dos órgãos de comunicação a ter acesso ao livro, expondo os temas mais fraturantes aprofundados na obra.

Harry admite consumo de drogas

No livro de memórias que chega às lojas na próxima semana, Harry admitiu que experimentou drogas, nomeadamente cocaína. No livro, Harry confessou que usou a substância pela primeira vez aos 17 anos.

“Na casa de alguém, durante um fim de semana de caça, ofereceram-me uma ‘linha’ e, desde aí, consumi algumas vezes”, explicou o duque de Sussex

“Não era muito divertido e não me fez sentir especialmente feliz, tal como parecia acontecer com os outros, mas fez-me sentir diferente, e esse era o meu objetivo. Sentir. Ser diferente. Eu era um rapaz de 17 anos disposto a tentar quase tudo que alterasse a ordem pré-estabelecida – pelo menos era isso de que me convencia”, é possível ler no livro, citado pela Sky News.

Mortes no Afeganistão

Harry serviu no Exército durante dez anos, tendo sido destacado durante dois anos para o Afeganistão. No livro de memórias que escreveu detalha que matou 25 pessoas enquanto esteve no país.

“A maior parte dos soldados não sabe exatamente quantas vidas tiraram. Sob condições de batalha, muitas vezes atiras de forma indiscriminada”, explicou.

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No livro ‘Na sombra’, Harry revela que matou 25 talibãs durante os dois anos em que esteve destacado no Afeganistão | © Reuters

“Apesar disso, no tempo da Internet e dos computadores, tudo o que fazia durante os dois anos de serviço ficava registado e carimbado. Eu sempre consegui dizer quantos combatentes do inimigo matei. E parecia essencial para mim não ter receio desse número. Entre as muitas coisas que aprendi nas forças armadas, uma das mais importantes era ser responsável pelas minhas ações. Por isso, o meu número é: 25”, explicou Harry, que confessou, não se sentir arrependido.

“Não é algo que me encha de orgulho ou satisfação, mas não me envergonho. Naturalmente que preferia não ter esse número na minha ficha militar, ou na minha cabeça, mas eu também preferia viver num mundo sem os talibã, num mundo sem guerra”, acrescentou.

Perda da mãe, a ‘princesa do povo’  

Harry contou mais detalhes sobre a morte da mãe, a princesa Diana, em 1996. Primeiro, Harry soube do acidente de carro através do pai, príncipe Carlos na altura. “Meu querido filho, a mãe teve um acidente de carro”, explicou Carlos.

Harry detalhou que o pai repetiu várias vezes “meu querido filho”, parecendo que estaria em choque com as notícias.

Já durante as cerimónias fúnebres, Harry contou que teve de cumprimentar dezenas de pessoas que choravam por Diana, algo que o incomodou

“Eu não gostava do toque daquelas mãos. Além do mais, eu não gostava de como elas me faziam sentir culpado. Por que todas aquelas pessoas choravam quando eu não estava a chorar – eu nem era capaz de chorar”, questionou Harry.

“Lembro-me de consolar várias pessoas que estavam prostradas, acabrunhadas, como se tivessem conhecido a minha mãe, mas também de pensar: ‘A questão é que… vocês agem como se a tivessem conhecido… mas não a conheciam'”, confessou.

Entre os detalhes explicados no livro, Harry diz que foi, juntamente com o irmão, dissuadido de pedir uma investigação conjunta sobre a morte da mãe, apesar de todas as dúvidas e questões que assombravam a sua morte.

Contra o casamento com Camila

O filho mais novo admitiu que tanto ele como o irmão mais velho pediram ao pai para que não casasse com Camila. Apesar de prometerem que iriam aceitar Camila na família e recebê-la de forma acolhedora, os dois filhos de Diana pediram ao pai que não se casasse com ela.

Carlos acabaria por casar com Camila, agora rainha consorte, em 2005.

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Harry e William pediram ao pai que não casasse com Camilla Parker Bowles | © Reuters

Notícia da morte da rainha 

Na sua autobiografia, Harry afirma que soube da morte da avó, a rainha Isabel II pela BBC. “Quando o avião começou a descer, vi uma luz no telemóvel a brilhar. Era uma mensagem da Meghan: ‘Liga-me assim que leres isto’. Verifiquei a página da BBC. A minha avó tinha morrido. O meu pai era o rei. Coloquei uma gravata preta, saí do avião para a chuva pesada”, escreveu.

Isabel II morreu no castelo de Balmoral e apenas Harry viajou para lá, juntamente com William e o pai. O rei Carlos III terá informado o príncipe que Meghan não deveria aparecer na residência da rainha.

Harry
© Reuters

“O meu pai ligou-me outra vez. Ele disse-me que era bem-vindo a Balmoral, mas… sem ela. Ele começou a explicar as suas razões, mas não faziam qualquer sentido, e foi muito desrespeitoso. Eu não iria tolerar isso da parte dele” escreveu. Harry terá confrontado o pai que lhe explicou que apenas não queria Balmoral cheio de gente. “Nenhuma esposa foi, nem mesmo a Kate, disse-me… Então, a Meg também não poderia ir”, refere Harry no seu livro. 

 

FONTE© Reuters