Falta papel entre outros consumíveis nos centros de saúde. A denúncia é do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). Apesar das receitas eletrónicas mitigarem a necessidade do uso de papel, há situações em que o material continua a ser essencial e compromete o trabalho dos médicos.

“Há coisas, como por exemplo os impressos das baixas, que têm de ser mesmo em papel. E depois também temos o direito que os utentes têm, especialmente os mais idosos, de levar as suas receitas em papel. No caso da vigilância de uma doença crónica como a diabetes – que pressupõe consultas normalmente programadas, de seis em seis meses, em que o doente já leva as análises para futuramente fazer e vir mostrar à consulta -, em pessoas menos hábeis com os telemóveis, o que acontece? Se mandar isto para o telemóvel muitas vezes apagam, aparecem cá sem receitas…por isso é necessário imprimir em papel”, explica Maria João Tiago, do SIM.

O SIM diz que os apelos ao governo já não são de agora e que estão em falta outros materiais: “Já há mais de seis meses o SIM tinha feito o alerta. Faltam impressoras, faltam toners, faltam condições de climatização, até as simples luzes dos gabinetes quando estão avariadas, demoram meses e meses para vir trocar uma simples lâmpada.”

Depois da denúncia o papel já começou a chegar, mas por outras vias.

“Em muitos centros de saúde os profissionais compram resmas de papel para terem cá e para darem aos seus doentes porque o papel que vem muitas vezes chega a conta-gotas e não é suficiente para os gastos. Desde a nossa notícia, curiosamente já vieram doentes entregar duas resmas de papel que já dividimos por todos” – Maria João Tiago, do Sindicato Independente dos Médicos

O Sindicato diz que esta situação ocorre em centros de saúde de todo o país, mas é mais acentuada na região de Lisboa.

FONTE© Envato