O sentimento de pernas pesadas e inchadas pode significar doença venosa crónica, situação que pode ser irreversível e ter diagnósticos tardios.

As queixas de dores de pernas são mais habituais durante o verão, pois com o calor a sintomatologia costuma agravar-se.

Além disso são várias as pessoas que se sentem desconfortáveis com o inchaço do corpo e com as varizes que normalmente aparecem na zona das pernas. Mas sabia que estes sintomas podem representar muito mais do que ‘apenas’ cansaço?

Os médicos chamam-lhe insuficiência venosa crónica e representa uma anomalia no funcionamento do sistema venoso, causada pela incapacidade das válvulas instaladas nas veias de funcionarem.

O médico Pedro Almeida, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, ilustra a doença com a imagem do movimento de um poço. “Para retirarmos a água de um poço precisamos de fazer força, tal e qual como na doença, para que o sangue do corpo humano circule, precisamos de exercer essa força.”

Quando caminhamos exercemos um movimento nas almofadas de músculos dos pés, o que obriga o sangue a ir para as pernas. Nos membros inferiores existem grupos musculares que se contraem e comprimem as veias para o sangue subir.

As válvulas, que estão presentes nas veias, abrem para que o sangue circule. Ao pararmos o sangue cai, devido à gravidade. O corpo apresenta dificuldades para cumprir o circuito natural e o sangue acaba por acumular-se, impedindo que as válvulas das veias abram corretamente.

Fases da doença

A primeira fase é acompanhada por diferentes sintomas, dependendo de pessoa para pessoa, mas normalmente inicia-se com o sentimento de peso e sensação de inchaço ao final do dia, agravando-se com o passar das semanas e anos.

Na segunda fase aparecem as primeiras veias tortuosas, as varizes e os tornozelos com uma cor acastanhada e pele seca. 

A fase mais avançada, na qual muitas pessoas se encontram, acontece com o aparecimento de uma úlcera, ou seja uma ferida na região dos tornozelos – malleus em termos médicos.

Quem está mais vulnerável?

Este processo é natural. Se é uma pessoa que pratica pouco exercício físico, é sedentário, ou tem uma profissão que o obrigue a ficar mais tempo em pé e parado pode sofrer ou vir a sofrer da doença venosa crónica.

“Se a pessoa for sedentária e não realizar exercício é mais provável de ter a doença do que alguém ativo, que se alimenta de forma saudável e que pratique exercício físico”, refere o clínico.

No caso de sentir pernas cansadas e inchadas, ou visualizar varizes e calcanhares acastanhados, poderá estar a caminhar para o agravamento da doença e consequentemente para uma perda de qualidade de vida.

Diferenças em relação ao cansaço

O especialista refere a importância de comunicar os sintomas a um profissional de saúde, nomeadamente um médico especializado na área.

“É importante que o rastreamento seja sempre feito por um profissional. Muitas das vezes as pessoas ligam à opinião de amigos ou de conhecidos e acabam por ignorar os sintomas.”

Quando apresentar sintomas deve comunicá-los a um médico assim que possível. O profissional realizará exames objetivos para avaliar se existe carga genética, ou em que fase da doença está. É realizada uma ecografia – do tipo eco Doppler – que vai estudar o sistema venoso profundo e superficial da pessoa.

Normalmente a doença venosa vem acompanhada de outros sintomas, dependendo das fases de doença, tais como veias dilatadas (veias tortuosas) com aparência de serpente e pequenos vasos nos tornozelos.

Cuide da saúde do seu corpo

Na Europa, em média, cinco a 15 por cento  dos adultos com idades entre os 30 e 70 anos apresentam esta doença, e um por cento chega à fase de úlcera varicosa. Nos Estados Unidos, sete milhões de pessoas têm esta patologia, sendo que em 70 a 90% dos casos a mesma é dada como a causa de todas as úlceras dos membros inferiores.

De forma a evitar o aparecimento ou o acordar da doença, lembre-se de cuidar de si e do seu corpo. Mantenha uma vida ativa, pratique exercício físico e alimente-se bem.

Se verificar algum destes sintomas contacte um médico. Não desvalorize os sintomas, nem siga os ‘palpites’ de amigos ou conhecidos sobre o assunto.

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