Somos maioritariamente compostos por água e, em teoria, não resistiríamos mais de três dias sem ela. Ainda assim, tendemos a menosprezar este precioso (e cada vez mais escasso) recurso, que determina a existência de vida.

A água é o tópico do ‘Objetivo 6’ da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Este ponto defende o acesso universal e equitativo à água potável e ao saneamento, até 2030, destacando que a água é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico, para a produção de energia e alimentos, para a construção de ecossistemas saudáveis e para a sobrevivência da espécie humana.

Segundo a ONU, três em cada dez pessoas não têm acesso a água potável, mais de dois mil milhões vivem em países com um elevado nível de ‘stresse’ hídrico e cerca de quatro mil milhões de pessoas passam por uma grave escassez de água potável durante, pelo menos, um mês do ano. Uma realidade dramática que nos obriga a valorizar o privilégio de acesso a este recurso precioso que se encontra ao centro, destacado, na Nova Roda dos Alimentos.

 

Beba mais água
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Beba mais água

Beba um copo de água logo ao acordar. Leve uma garrafa de água para o trabalho e mantenha-a à vista. Estabeleça objetivos do género ‘antes do almoço tenho de beber 3 ou 4 copos de água’ ou ‘até ao final do dia tenho de acabar esta garrafa’. Para variar, aromatize a água com fruta ou chá.

 

O que é o pH?

A sigla pH é a abreviação de ‘potencial de hidrogénio’. É a medida da acidez ou alcalinidade das substâncias, determinada pela concentração de iões de hidrogénio (H+). Quanto menor o pH de uma substância, maior a concentração de iões de hidrogénio e menor a concentração de iões hidróxido extra (OH). Os valores de pH variam de 0 a 14, sendo que 7 é neutro. Os valores abaixo de 7 são considerados ácidos e os valores acima alcalinos.

 

A água alcalina é melhor?

Embora esteja na moda beber água alcalina, como acontece com quase tudo o que ingerimos, o importante é o equilíbrio. Segundo os peritos, as águas muito ácidas ou muito alcalinas podem ser prejudiciais para a saúde humana e conduzir a um desequilíbrio nutricional.

Portugal dispõe de recursos aquíferos de elevada qualidade e existe uma monitorização permanente dos sistemas de abastecimento. A água da torneira é, por isso, totalmente segura e própria para consumo. Mesmo assim, por gosto ou questões práticas, há quem prefira água engarrafada e há opções de todos os tipos no mercado. A diferença está nos nutrientes. E para os conhecer e distinguir é importante aprender a decifrar os rótulos.

 

Torneira ou garrafa?

É um facto. Três quartos do nosso corpo são formados por água. Por isso, bebê-la com frequência ajuda a evitar muitos problemas de saúde: fortalece o sistema imunitário, faz circular os nutrientes pelo corpo, limpa o organismo (eliminando toxinas) e ajuda todos os órgãos a desempenharem melhor as suas funções.

Os especialistas recomendam que se ingira entre 1,5 e 2 litros (6 a 8 copos) por dia, mas a grande maioria das pessoas fica muito aquém das necessidades.

De uma forma geral, a água é composta por magnésio, cálcio, potássio e, por vezes, cobre, zinco e ferro. A água da torneira tende a ser mais rica em sódio.

As características das inúmeras águas diferem de acordo com a sua origem, o que condiciona a sua riqueza mineral.

No que toca às engarrafadas, há quem prefira as águas minerais naturais e há quem goste mais das de nascente. Ambas têm origem subterrânea, circulam a profundidades significativas e são consideradas seguras do ponto de vista bacteriológico. No entanto, a água mineral sofre, por norma, algum tipo de intervenção antes do engarrafamento.

O ideal são as águas de nascente menos mineralizadas e com pH entre 6,5 e 8,0. E, por precaução, não beba a água pela garrafa. As bactérias desenvolvem-se em meio líquido à temperatura ambiente, e a água engarrafada não é tratada, logo há perigo de as bactérias presentes na boca contaminarem a bebida.

Decifre os rótulos

As águas engarrafadas têm diversas características – e toda a informação está, normalmente, no rótulo.

1. pH

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O potencial de hidrogénio indica o nível de acidez ou alcalinidade da água, numa escala de 0 a 14.

2. Sílica

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Mineral sem consequências para a saúde.

3. Mineralização total/Resíduo seco

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Grau de mineralização: até 50 mg/litro, a água é muito mineralizada; entre 50 e 1500 mg/litro é oligomineral; e acima de 1500 mg/litro é rica em minerais.

4. Bicarbonato


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Águas com mais de 600 mg/litro são bicarbonatadas e estão indicadas, com moderação, para quem tem hiperacidez gástrica ou problemas de ácido úrico.

5. Sulfato

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Mineral que, em grande quantidade, pode ter efeito laxante, sobretudo quando associado ao magnésio. Com mais de 200 mg/litro são águas sulfatadas.

6. Nitrato

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Proibido acima de 50 mg/litro. As grávidas, mulheres a amamentar e bebés não devem beber águas com mais de 10-15 mg/litro.

7. Sódio

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Em quantidades elevadas pode ser nocivo. Caso siga uma dieta pobre em sódio, opte por águas com menos de 20 mg/litro.

8. Magnésio

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Mineral que, em quantidades elevadas, pode ter um efeito laxante, sobretudo quando associado ao sulfato. Com um teor superior a 50 mg/litro são águas magnesianas.

9. Cálcio

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Teores elevados podem interferir na absorção de nutrientes, como potássio, ferro e zinco. Com mais de 150 mg/litro são águas cálcicas.

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