A nossa entrevistada tem pronúncia do Norte. É uma mulher decidida e obstinada, que não hesitou em largar o curso de Design de Comunicação para ir à luta, atrás dos seus objetivos – e provou ser uma mulher empoderada. Inês Mocho é uma empresária de sucesso, lançou livros, um perfume e uma loja online. E também é uma das influenciadoras digitais mais conhecidas de Portugal.

Uma das tuas palavras preferidas é movimentar, fazer…
Sim, não importa se fazemos bem ou mal. O importante mesmo é tentar. A primeira vez pode até não sair bem, a segunda sai mais ou menos e à terceira vamos conseguir!

A tua família foi uma grande base para que te tornasses numa mulher proativa, que coloca em prática as suas ideias. Tiveste muitos exemplos familiares que te inspiraram? Eles estão orgulhosos de ti?
Muito! Eles são os meus maiores apoiantes – devo muito à minha família. Eu tive, sem dúvida alguma, essa grande base, umas ótimas raízes. Tenho muito bons exemplos de pessoas como o meu avô, que infelizmente já não está connosco, que foram uma forte inspiração.

Tu és muito mais do que um rosto bonito, que quis ser youtuber e ficar famosa. Quiseste estudar, ter formação, para ires atrás dos teus sonhos, mas de forma sustentada…
Formação é tudo, não fosse eu filha de pais professores. [risos] Sempre dei muito valor ao conhecimento, daí acreditar tanto na minha academia [de cursos profissionais de maquilhagem] e na formação. Para ser muito sincera o reconhecimento do público – tornar-me ‘famosa’ – foi uma consequência do meu trabalho, para mim nunca foi um objetivo.
Eu tinha uma vida confortável, um bom emprego… mas não me sentia feliz, não sentia aquele ‘fogo’ dentro de mim. E parecia que ouvia sempre uma voz a dizer: ‘Não é por aqui Inês’. Então, decidi dar uma oportunidade a essa voz e ver até onde me levaria. E fui tirar o curso de maquilhadora, em Los Angeles, e aí, sim, fiquei satisfeita.

Sempre quis ser bem-sucedida, ter projetos de sucesso e sentir que eu e quem me rodeia estamos satisfeitos com o trabalho realizado

Existe uma grande diferença em fazer o que se gosta e fazer o que se ama, não achas?
Sim, completamente! Quando tu amas dás aquele ‘litro e meio’… sais do teu trabalho e continuas a pensar nele, porque te dá prazer e gostas do que fazes.

Sentiste que a tua vida ficou mais preenchida quando foste mãe?
Tal como há um antes e depois de Cristo, sinto que também há um antes e depois da Leonor.

O que ela tem de mais parecido contigo? A loucura pela maquilhagem é comum às duas?
Ela parece-se em tudo comigo! Em tudo, mesmo – estou a brincar! [risos] Há coisas que nós somos mesmo muito parecidas e outras em que somos muito diferentes. Quando eu era miúda adorava entreter as pessoas… Chegava a um parque infantil e queria cantar para quem lá estivesse, dançar [risos]… Estavam lá os ‘velhinhos’ sentados e queria entretê-los, chamar a atenção. E a minha filha é igual! Ela quer dançar, quer chegar e ser o centro das atenções – e adora! [risos] E, acima de tudo, acho que ela se diverte muito – e eu fico ‘babada’, em vê-la divertir-se também com a maquilhagem.

Qual é o desafio que ainda falta na tua carreira?
Mais do que tudo, acho que sou uma criadora de projetos. Hoje em dia, sou mais uma coordenadora de equipa e formadora. E quando me perguntam: ‘O que ainda há para criar?’ Respondo: ‘Tudo, tudo!’ [risos] É fazer, sem hesitar!