Começou na moda e desbravou uma carreira internacional. Divertida por natureza, original e muito carismática, a televisão agarrou-a logo e o público também. Singrou como atriz e apresentadora em Portugal e atualmente conquista o seu espaço além-fronteiras.

Tens um sentido de humor muito forte e és ‘especialista’ em ‘música pimba’. A música ‘Apita o comboio’, que ouvias em criança, ajudou a elevar esse teu lado mais divertido?
É possível, sim. [risos] A música popular portuguesa tem uma ligação direta com aquilo que sou, à minha personalidade. Cresci com os meus padrinhos – que são portugueses – e havia sempre música lá em casa. Algumas das letras dessas músicas populares são muito brincalhonas e puxam muito esse lado. Mesmo quando não percebia nada do que se estava a cantar, por ser apenas uma criança, sei quase todas as letras por causa disso, é um talento meu. [risos] Isto pode, então, ter tido alguma interferência na minha personalidade porque eram letras muito brincalhonas e eu depois, por consequência, também sou muito brincalhona – às vezes demais! [risos]

A fama fez com que mudasses a tua forma de estar e de ser?
Não, nunca deixei de ser a Sofia – continuo a ser a Sofia dos meus amigos de infância, que atualmente continuam a ser os meus amigos de sempre, porque acho que eles também não me iam deixar. Se eu ficasse com algum tipo de ‘mania’ eles rapidamente me chamariam à atenção e ‘acordavam-me’ para a realidade. Se isso acontecesse, de certeza que acabaria logo porque temos esse tipo de relação, esse à-vontade para sermos diretos e sinceros. 

Disseste que os trinta anos foram marcantes. A maturidade fez-te ver que nem sempre precisamos de ser uma ‘pedra’?
Definitivamente. Para uma pessoa como eu, pedir ajuda e depois aceitá-la foi um bocado difícil. Estava habituada a ser essa ‘pedra’ e ‘tudo para a frente’ e com força, mas quando cheguei aos 30 anos percebi os meus defeitos e acho que foi isso que me doeu mais, mas, ao mesmo tempo, fez-me crescer mais depressa. Percebi que não somos perfeitos, nem temos de ser.

O segredo de sonhar e concretizar é perceber que está tudo mesmo nas tuas mãos. Se não fizeres um esforço e o teu trabalho de casa, ninguém vai fazer por ti e não vais ter resultados

Sempre usaste essa tua força como uma espécie de ‘combustível’, para ir atrás dos teus sonhos…
Eu vou e faço! Agora com estes dois anos de pandemia, tem sido um bocadinho mais difícil sonhar e realizar. Sonhar eu consigo, eu quero é realizar! Mas, lá está, não depende só de mim, mas do mundo voltar não ao ‘normal’ – porque nunca vamos voltar ao ‘normal’ -, mas àquele ‘novo normal’ que nós tanto ambicionamos. O segredo de sonhar e concretizar é perceber que está tudo mesmo nas tuas mãos. Se não fizeres um esforço e o teu trabalho de casa, ninguém vai fazer por ti e não vais ter resultados.

Uma vez disseste que só não alcançamos aquilo que não quisermos… 
É verdade. E isso é uma responsabilidade boa e horrível ao mesmo tempo, porque no final do dia só te podes culpar a ti mesmo, se chegaste ou não aonde esperavas. Acho que não sei viver de outra maneira, talvez se tivesse filhos dividiria essa tensão e tarefa, mas como agora sou só eu, continuo a ser só eu a sonhar.

Sei que te tornaste muito reservada a nível pessoal. Sentes que essa mudança foi significativa?
Eu não era nada assim. Até gostava de partilhar a felicidade, mas a privacidade e o facto de os momentos serem só nossos, da pessoa que está connosco e daqueles que estão à nossa volta – e que tornam as coisas muito mais especiais. Assim também ninguém te pede satisfações. As pessoas só sabem aquilo que eu quero que saibam, porque se eu não partilhar não vão saber nada – elas não estão em casa comigo para saber o que eu faço. Tenho imenso orgulho no meu marido [o cantor David Fonseca], acho que ele é um excelente profissional e é uma pessoa que também me inspira porque é como eu: quando ele quer ele vai e quando ele não sabe procura e aprende.

Ele canta para ti?
Não, não. [risos] Já cantámos juntos, mas não para mim! Ou será que canta? Não sei… [risos] Mas basicamente, e voltando ao assunto da privacidade, eu também não dou tudo às pessoas porque acho que elas têm de querer saber se estou bem de saúde, profissionalmente e essas coisas. Gosto que queiram saber mais neste sentido e quando eu quero partilhar. A credibilidade como atriz também se reflete nisto da privacidade, porque quanto menos as pessoas souberem da minha vida pessoal, mais acreditam nos papéis que represento. Quando eu partilhava mais coisas da minha vida não estava no meio da representação, mas depois percebi isso.

Foste muito corajosa porque estavas muito bem a nível profissional, mas quiseste mais e foste para Londres. Lá, ‘encontraste’ a pandemia e não desististes…
Antes da pandemia aparecer, eu tinha uma posição ótima com contrato de exclusividade, estava superconfortável, mas não era isso que eu queria. Queria mais! Rescindi, então, o contrato e passado uma semana o ‘mundo acabou’. E foi do género: ‘Então, mas eu há uma semana..’ Fiquei muito confusa com tudo e doeu um bocadinho. Depois, não sabia se iria conseguir viajar, atingir os meus objetivos e no fim tive de me readaptar e assim consegui participar na minha primeira série internacional, que vai estrear este ano e estou muito contente – como a ‘Glória’ [a primeira série original portuguesa da Netflix] que também foi uma oportunidade que surgiu e aproveitei. Acho que 2022 vai ser um ano muito diferente para mim profissionalmente, porque como tenho estes novos desafios e esta nova faceta para apresentar estou muito empolgada para que os portugueses também vejam, a minha versão americana – há de vir também a britânica. [risos]  

A tua carreira corre às ‘mil maravilhas’… E pessoalmente, pensas, por exemplo, em ser mãe?
Ainda não sou mãe [risos], mas claro que tenho esse sonho. Quando tiver de acontecer, acontecerá.

Ainda és muito nova, mas já viveste muito. Tiveste também oportunidade de fazer um desfile em fato de banho, em Milão, para uma conceituada marca italiana…
Tropecei nesse desfile [risos], mas ninguém precisa de saber! Foi muito bom, porque ainda por cima o David estava na plateia e ele nunca me tinha visto a desfilar. Eu estava nervosa porque sabia que ele ia ver e achava que ele já estava apaixonado, mas iria ficar ainda mais. [risos] Foi no momento em que eu passei à frente dele, e dei aquele ‘olharzinho’, que fui parar ao chão. Foi ele que me desconcentrou completamente, mas foi ótimo porque nesse momento fui eu própria. Claro que ele se riu, mas depois disse que eu estive muito bem. Provavelmente, foi isso que o fez apaixonar-se por mim. [risos]

FONTE© D.R.