Ela é multifacetada e tem uma voz inconfundível. Sempre esteve ligada à rádio como locutora e à televisão, onde apresentou, produziu e foi repórter. Catarina Miranda é uma verdadeira mestre da comunicação! Atualmente, é também comentadora de TV e encontra-se focada no seu blog.

Muitas pessoas já te conhecem, principalmente pela tua voz cativante. O início da tua carreira foi na rádio, onde ainda continuas passados muitos anos. Para quem não sabe, querias ser jornalista de investigação. Essa paixão já passou?
Sim, já passou, passou muito cedo. Quando tirei a minha licenciatura em Comunicação Social eu realmente queria mesmo jornalismo de investigação. Na altura disseram-me para eu tirar a ideia da cabeça, porque em Portugal não tínhamos tradição de fazer jornalismo de investigação – agora só uma ou outra pessoa consegue dar a cara por esse tipo de jornalismo. Depois comecei a trabalhar numa área que eu nunca tinha pensado, a locução e animação. Como eu não gosto de estar parada, no início preferi estar a trabalhar sem receber quase nada do que estar parada, pois isso sempre enriquece a alma.

Desde o momento que contactei com a rádio nunca mais parei

A rádio é mesmo aquele ‘bichinho’ que todos dizem? Como explicas o que sentes?
É um cliché, não é? [risos] Toda a gente diz isso, mas realmente é verdade. Sempre decidi e sempre tive muito a ideia clara na minha cabeça de que eu queria ir para rádio. Há uns anos, um senhor veio ter comigo e perguntou: ‘É a Catarina Miranda?’. E eu respondi que sim. Ele disse que pensava que na rádio só havia ‘gente feia’ [risos], ou seja, ele achava que só ia para a rádio quem não tivesse espaço na televisão. Isso não é verdade, há muitas pessoas bonitas na rádio, com muito gosto naquilo que fazem. Desde o momento que contactei com a rádio nunca mais parei.

És uma mulher muito proativa e já tens também uma longa carreira na televisão. Conta-nos como tudo começou
A televisão foi também um bocado por acaso e eu pensei ‘Porque não?’. Um ‘não’ está sempre garantido, mas acabou por ser um ‘sim’. Foi a primeira vez que tive de escolher, e foi a televisão porque era aí que queria apostar. Saí da rádio, mas acabei por voltar, porque queria formar família. Foi na rádio que eu cresci, aprendi e trabalhei com inúmeros nomes – Pedro Ribeiro, Nuno Markl, Vanda Miranda, Ricardo Araújo Pereira, César Mourão, entre outros. Tu olhas e pensas ‘realmente esta é a Liga dos Campeões’ [risos]. Fui muito feliz e ao fim de uns bons anos decidi dedicar-me mais ao digital. Toda a minha vida sempre fiz rádio e eu adoro, mas sentia que precisava de crescer e falar com as pessoas. Vejo as redes sociais como um prolongamento daquilo que eu sou, não faço personagem nenhuma, sou eu mesma. Há dias que estou melhor, outros que nem tanto. O tempo que estive fora da rádio permitiu-me precisamente crescer no digital, trabalhar, perceber e ir à luta – porque uma coisa é quando tens tudo ‘certinho’ ao final do mês, outra coisa é estares por tua conta e teres de ir tu atrás.