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O ‘Palco Record’ esteve à conversa com o cantor e compositor português, que fez algumas revelações e falou sobre a sua carreira e projetos futuros.

Por falar sobre teu novo projeto… é um filme, um álbum?
A ideia era, inicialmente, fazer um disco que juntasse dois dos meus grandes interesses: o cinema e a música. Fazer um filme que fosse um disco e um disco que também se traduzisse num filme, uma espécie de híbrido entre uma coisa e outra. A ideia era que este filme pudesse, de uma forma muito metafórica e surreal, levar as pessoas a uma viagem dentro da minha cabeça – uma viagem que mostrasse como faço as canções e como elas surgem. Foi assim que surgiu este filme de uns longos 50 minutos.

Este projeto acaba por contar histórias tuas e também dos lugares por onde passaste. É importante para ti dar esse cunho pessoal a tudo o que fazes?
Sim, porque quando se faz música fala-se essencialmente do ponto de vista do criador. Para mim, é muito importante mostrar o meu – de onde venho, as pessoas que estão à minha volta, quem sou, o que quero transmitir através das minhas criações. Aí está a mais-valia de cada músico. Neste filme, isto é mais notório. Há imensos elementos extremamente pessoais que depois se cruzam com as canções, com outros intervenientes, personagens, essencialmente com um mundo muito meu.

Há sete canções no álbum. Todas elas têm uma mesma linha e fio condutor?
As canções até são muito diferentes entre si, curiosamente. Há um fio condutor um bocado invisível, mas que está lá. Um fio que só eu, se calhar, consigo ver dessa forma. Mas as canções em si, isoladamente, são diferentes, em termos de géneros ou experimentações. É difícil catalogar o que se passa lá, mas há várias coisas que ligam as canções umas às outras.

É difícil cruzar um universo visual com a música?
Não acho muito difícil. Do meu ponto de vista, é mais difícil executar uma ideia visual do que uma ideia musical. Mas para mim não é muito difícil, porque quando faço as canções, elas de alguma forma já existem visualmente na minha cabeça.

Acabas, portanto, por estar muito envolvido nestes projetos, em querer fazer parte e pôr em prática aquilo que visionas mentalmente?
Sim, infelizmente depois sou eu que acabo por fazer todas essas coisas. [risos] Neste filme, tive a ajuda do André Tentugal que fez dois segmentos deste longo filme, mas todo o resto fui eu, porque acho que seria difícil transpor esta ideia para outro e depois ficar satisfeito com o resultado final. Se delegasse todo o projeto, de certeza que não seria o mesmo. Assim, acaba por ser muito mais focado e mostra mais o que eu quero fazer e dizer.

É sempre difícil seguir qualquer carreira, sozinho ou com uma banda

Cantas maioritariamente em inglês. Há algum motivo para isso?
Eu comecei assim… Foi um bocadinho um acidente. Comecei a cantar em inglês muito cedo. O meu primeiro projeto era totalmente cantado em inglês, com algumas exceções de canções em português. Depois, ele cresceu dessa forma e continuei. Mas também gosto muito de escrever em português – é um desafio completamente diferente. Este por acaso foi assim, mas não quer dizer que o próximo também seja.

Falaste dos Silence 4, que foi um sucesso e muita gente acompanhou. É difícil e desafiante então seguir esta carreira musical sozinho?
É sempre difícil seguir qualquer carreira, sozinho ou com uma banda, como seja. Porque o mundo da música é muito volátil e eu já estou cá há muitos anos a fazer isto. Quase sempre digo isso nos lançamentos dos discos, de que começamos quase tudo do zero, porque como sempre faço coisas diferentes das anteriores, pareço que tenho que sempre de as explicar. Neste sentido é sempre complexo.

Porquê ‘Living Room Bohemian Apocalypse’?
É simples. Quando comecei a escrever este projeto, eu tinha muitas folhas no meu local de trabalho, onde escrevo várias palavras que tenham a ver com ele, aquilo é um caos. Tinha muitas palavras para descrevê-lo e, na altura, optei por estas quatro. ‘Living Room’ porque foi o sítio onde o álbum foi feito – e eu estava sistematicamente dentro de quatro paredes. ‘Apocalypse’ também é fácil, porque fiz o álbum num momento difícil para toda a gente – a pandemia -, onde não sabíamos muito bem o futuro. E faltava eu, o boémio daquilo tudo. Então, achei que ligava muito bem todas estas vertentes e escolhi um título complicado, mas acho que define bem este disco.

A música vai continuar a acompanhar-te até dar?
Acho difícil eu largar a música porque quando comecei nisto, comecei como amador. E sempre senti que era um amador. Aliás, ainda hoje tenho uma dificuldade grande em considerar-me músico profissional, apesar de ser isso que eu faço profissionalmente. Já tentei muitas vezes largar esta profissão, porque há muitas outras coisas que eu gosto de fazer – como dá para ver [risos] -, mas acabo sempre aqui, a fazer músicas, porque de facto é uma área entusiasmante e que liga muitas outras coisas que eu gosto de fazer. É aquilo que cola todos os meus interesses e que me permite ir a todos. Enquanto assim for, será difícil largar a música.

 

FONTE© D.R.