Nascido no Rio de Janeiro há 43 anos, Dudu Azevedo é o protagonista da superprodução da Record TV, ‘Jesus – A série‘. Feliz por tudo o que a vida lhe tem proporcionado, revela que antes de ser ator imaginava ser uma rock star e que o ‘seu’ messias é mais humano e menos mito.

Em ‘Jesus’ dá vida àquele que é considerado por muitos como o maior homem de todos os tempos. É um grande desafio?
Esse, sem dúvida, é o meu maior desafio profissional. A maior de todas as personagens, do maior de todos os livros. Acho que não existe uma personagem maior do que Jesus.

Escreveu que esta oportunidade é uma recompensa por toda a sua perseverança e que está a ser uma experiência grandiosa. O que tem de diferente esta sua interpretação?
A minha interpretação é mais objetiva, menos dramática e com menos clima de compaixão e comoção. Um Jesus mais humano, que lida de uma forma mais prática com todas as questões. Ele tem consciência de tudo o que se vai passar e caminha em direção da cruz – ele já sabe que esse será o seu caminho.

Como é que uma história mundialmente conhecida ainda pode surpreender o telespectador?
Acho que pode surpreender pela forma como se dá a narrativa. Fizemos algumas escolhas que envolvem a forma como esta história é contada. O texto é todo baseado no Evangelho e estamos a cumprir aquilo que está escrito, mas com diferenças, a começar pela minha escolha. Sou diferente do arquétipo do Jesus tradicional, mas também nesta forma diferente de interpretá-lo.

Entrevista Dudu Azevedo
O ator considera que Jesus é o papel da sua vida | © EDU MORAES

Outro destaque da novela é a personagem Satanás, que contracena frequentemente com Jesus. Como foi a sua relação com Mayana Moura, dentro e fora de cena?
É ótima, ela é uma grande parceira de trabalho, uma atriz corajosa, inteligente, que traz uma leitura da personagem com essas características e também com sofisticação. Ela foi uma ótima escolha, acho que esteve muito bem do princípio até ao final.

Parte das gravações foram feitas em Marrocos. Como foi trabalhar no meio do deserto?
Essa foi uma ótima escolha dos diretores, da Casablanca e da Record TV, porque o cenário arremessou-nos para o lugar certo. Fomos à boleia de tudo isso. Nós atores saímos do quotidiano pessoal e mergulhámos profundamente na atmosfera de trabalho – e respirámos isso durante quase 20 dias, pelo que acredito que contribuiu muito para o grandioso resultado final.

Inspirou-se noutras representações de Jesus ou optou por evitar essas influências?
Assisti a alguns filmes, mas muito mais pelo interesse de conhecer as histórias e a forma como foram as narrativas antes da nossa. Tentei que as atuações dos outros atores não me influenciassem. Desde o início, escolhemos uma maneira de fazer este papel, conversámos bastante e decidimos que não seria interessante revisitar outras interpretações da personagem.

Entrevista Dudu Azevedo
No lançamento de ‘Jesus’, juntamente com o restante elenco | © Blad Meneghel

Chegou à Record TV em 2016, participou no final de ‘Os Dez Mandamentos’, depois fez ‘O Rico e Lázaro’ e ‘Jesus’. Na sua opinião a que se deve este sucesso da teledramaturgia histórica da Record TV?
Acho que o público da Record TV é composto por pessoas que procuram aquilo que as novelas e as séries transmitem, comunicam. São produtos televisivos com muita qualidade, e o primeiro capítulo de ‘Jesus’, por exemplo, foi incrível e deixa bem claro que é uma produção com uma imagem e linguagem televisiva comum nas séries internacionais, que significa um passo em frente na teledramaturgia brasileira. Estamos a contar as histórias mais conhecidas do maior de todos os livros e isso tem um peso e uma profundidade que atinge todos os seres humanos.

Estas personagens históricas foram uma boa escola para fazer Jesus?
As minhas personagens têm sido incríveis e maravilhosas. Como ator, é um exercício espetacular e tenho feito coisas que nunca tinha feito antes na minha carreira. Inclusive personagens com perspetiva e profundidade que me exercitam como profissional e, sem dúvida nenhuma, me transformam como ser humano.

Entrevista Dudu Azevedo
A superprodução ‘Jesus’ foi parcialmente gravada em Marrocos | © EDU MORAES

Este sucesso internacional das novelas da Record TV surpreende-o?
Depois de ter percebido que as novelas da Record TV fazem sucesso fora do Brasil, concluí que isso acontece porque são histórias atemporais, que não se restringem a uma região, não se trata de uma cultura local, de um Estado, de uma cidade. Fazem sentido para o mundo todo. As pessoas conhecem e identificam-se com a história.

Por vezes, um ator tem de se submeter a profundas alterações para tornar uma personagem mais credível. Na Record TV, qual foi a maior ‘loucura’ que sentiu necessidade de fazer por um papel?
Em ‘O Rico e Lázaro’ passámos por muitas coisas, foi uma experiência muito intensa. Mas em ‘Jesus’, sobretudo as cenas em Marrocos, como a da Via Crucis… todo esse processo de concentração e preparação foi, sem dúvida, o meu mergulho mais profundo.

Em 2019 foi pai pela primeira vez. Como tem sido a aventura da paternidade?
Sinto-me muito pleno e agradecido. Já tenho o hábito de agradecer muito todos os dias, mas neste momento da minha vida sinto-me mais grato do que nunca, a Deus, ao nosso Senhor Jesus Cristo e ao universo por tantas coisas maravilhosas estarem a acontecer. O meu maior desafio pessoal é formar um ser humano [o filho, Joaquim, que nasceu em agosto de 2019], alguém que é da minha responsabilidade. Além de ele me colocar nesse estado de amor para contar a história de Jesus, sinto-me muito privilegiado por ser escolhido para interpretar esta personagem.

Entrevista Dudu Azevedo
Dudu Azevedo é casado com Fernanda Mader. São pais de Joaquim, nascido em 2019 | © D.R.

O nome Joaquim significa ‘Deus elevou’ ou ‘O Senhor concedeu’. Escolheram o nome por isso?
Foi uma feliz coincidência e é uma excelente justificação para o nome. Estou totalmente de acordo com o significado do nome do meu filho. Ele foi muito desejado. Eu e a Nanda [a esposa, Fernanda Mader] sonhámos muito em ter esta criança e o Joaquim vem como um símbolo maior desse amor, a realização desse sonho de aumentar a família e unificar ainda mais esse cosmo de amor que já formávamos.

É muito chegado à sua família. É nela que encontra o seu ‘porto seguro’?
Vivo para a minha família. Os meus dias começam com eles e terminam com eles. A minha vida é voltada para eles. São sem dúvida o meu elo de força.

Já afirmou que o seu pai foi uma grande força na sua vida. Da educação que recebeu dele, o que de mais importante vai tentar passar ao seu filho?
Fazer com que ele tenha boa índole, seja uma pessoa de princípios e ética. De certa forma, no futuro, ele irá representar-me e levar adiante valores que eu julgo serem fundamentais.

A música é outra das suas paixões. Tocou viola baixo, mas cedo preferiu a bateria. Hoje em dia tem ainda tempo para tocar?
Tento, mas nem sempre consigo tanto como gostaria. Tenho um estúdio montado em casa, onde tenho a minha bateria, os meus ‘violões’, uma guitarra e um baixo… tenho também um piano elétrico – e sempre que posso aproveito.

Entrevista Dudu Azevedo
Aos 43 anos, Dudu Azevedo é um dos galãs da TV brasileira | © Faya

Na adolescência, imaginava-se mais uma estrela rock ou um ator de sucesso?
Sinceramente, imaginava-me mais uma rock star internacional. [risos]

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?
Como o tempo é muito curto em período de trabalho, amo ficar em casa. Lá eu descanso, posso fazer as coisas de que gosto, como ficar com a minha família – a minha mulher, os meus filhos [vive também com Pedro e Manuela, seus enteados] – e os meus cães. Mas gosto também de ir à praia e viajar. A minha vida reveza-se entre muito trabalho e prazeres simples. Não preciso de nada complexo para ser feliz.

Alguma vez ambicionou internacionalizar a sua carreira?
Quando trabalhamos com arte, queremos comunicar para o maior número de pessoas. Não que isso seja uma regra, mas eu tenho vontade sim de fazer com que o meu trabalho chegue a mais lugares.