Leo Dias é apresentador, jornalista e também já foi locutor de rádio. Desde 2019 que é colunista no jornal ‘Metrópoles’. Assume-se como um homem multifacetado e com muitas histórias para contar. “Acho importante passarmos pelo fundo do poço, olharmos para trás e vermos uma mudança enorme”, acredita. Recentemente, o comunicador esteve em Portugal e revelou alguns dos seus ‘segredos’ à ‘Share Magazine’.

Leo, estás aqui por um motivo muito especial. Qual é?

Vim acompanhar a turné do cantor Gusttavo Lima. Ele veio a Portugal com a sua mulher e filhos. Esta pandemia foi bastante polémica na vida deles. Eles separaram-se e depois reconciliaram-se… mas, basicamente, consagrou o Gusttavo como o maior artista musical do Brasil.

O Gusttavo e a mulher Andressa passaram por umas pequenas ‘tormentas’ antes de se reconciliarem. Por que motivo ela decidiu acompanhar o marido na viagem a Portugal?

Acho que é para celebrar a união. Eles tiveram uma pandemia bastante complicada do ponto de vista do relacionamento – chegaram mesmo a assinar o divórcio. Para surpresa e felicidade de público geral, reataram e essa foi talvez a notícia mais vista durante toda a pandemia.

A tua ligação a Portugal é antiga. Como começaste no mundo do jornalismo?

A minha história está muito ligada a Portugal. Quando estava ainda a estudar na faculdade não tinha Internet. Estava a iniciar-me na profissão – em 1996/97 – e fui ao Consolado Português, no Rio de Janeiro, para pedir a relação de todas as rádios portuguesas. Mandei carta para todas a oferecer-me como correspondente. Disse que já era formado, mas ainda era estudante – contei essa ‘mentirinha’. [risos] A Rádio Difusão Portuguesa (RDP) procurou-me e estive a trabalhar lá de 1996 a 2006, mais propriamente na Antena 1 e, esporadicamente, na RDP Africa – que transmite para todos os países de língua portuguesa em África. Graças à RDP África viajei muito a trabalhar, cobri a morte do Pinochet no Chile, a visita do Papa João Paulo II a Havana e muitos outros momentos históricos. 

Esses teus trabalhos nada tinham a ver com o mundo das celebridades…

Nada, eu era um jornalista ‘certinho’ e deixava o meu pai muito orgulhoso! [risos]

Como é que foste parar ao ‘mundo dos famosos’?

Simultaneamente, no Brasil eu estava a começar a minha carreira e surgiu uma oportunidade de emprego, numa revista chamada ‘Amiga’, já quando eu estava na RDP. Eu precisava de dinheiro e trabalho, então fiquei na revista e começou a minha ligação aos assuntos de famosos. Entretanto, também fui para outras revistas e depois para um jornal diário.

Antigamente, não era tão fácil conseguir informações. Como era procurar as ‘fofocas’ nessa altura? 

Ali era só redator. Só quando fui repórter é que comecei a ir para a rua, a ser visto e ser falado, e as pessoas começaram a saber quem eu era.

Falas sobre famosos, mas já és mais famoso do que muitas das pessoas de quem falas, certo?

Acho que foi graças às redes sociais que as pessoas começaram a pensar nisso, porque dá para ver tudo – através dos seguidores, gostos… Dá para ver a visibilidade de cada um. Nessa altura, eles perguntavam-se se valia a pena entrevistarem-me, mas depois olhavam para os meus seguidores e pensavam que com a entrevista os meus seguidores iriam ver e até segui-los. No Brasil consegue-se fazer muito dinheiro com a Internet, os artistas ganham muito dinheiro a fazer publicidade online.

Tens noção de quantos informadores e fontes tens?

Tenho uma equipa, umas dez pessoas a trabalhar – enquanto estou a dar esta entrevista, algumas publicações devem estar a ‘subir’. Recebo muita informação pela Internet. Há muitas pessoas a querer vender-me informação.

E compras essa informação?

Aparecem pessoas que querem vender essas ‘bombas’ e eu fico a pensar ‘quem é esta pessoa?’. É muito relativo, é difícil perceber quem é ou não famoso, não é qualquer pessoa que me pode mandar mensagem. Evito comprar notícias, compro fotos e vídeos. Primeiro que tudo, confirmo sempre a informação e só depois é que começo a negociar quando quero comprar algo. Nunca compro a informação e publico, verifico sempre primeiro. Há pessoas que me aparecem com histórias escandalosas e eu nunca vou conseguir confirmar, pode até ser verdade, mas não há como confirmar.

A Fábia Oliveira é uma colega de profissão ou é concorrência? Entre vocês, costumam trocar informação?

Ela foi minha assistente durante muitos anos e hoje ela é minha concorrente, mas é uma concorrência ‘saudável’, que eu acho importante e necessária. Já lhe passei algumas informações, sim, mas hoje em dia já não. No entanto, acho que o mercado melhora quando existe concorrentes. E isso dá para tudo na vida.

E quando são polémicas relacionadas contigo como reages?

Eu fiquei ‘espertíssimo’ ultimamente, e agora evito ao máximo entrar em polémicas. Para além de não fazer nada que me possa comprometer, não me manifesto. Quando as pessoas vêm ter comigo para haver chatice eu ignoro e fico calado. Nem sempre foi assim, mas evoluí muito. Nota-se uma diferença muito grande em mim. Quem me acompanhou percebeu que realmente há uma grande evolução na minha forma de encarar essas situações.

Viveste uma grande confusão com a Anitta… Quando essa polémica se tornou pública, sentiste necessidade de ir para as redes sociais explicar. Hoje farias isso?

Hoje já não. Esse foi um momento conturbado da minha vida, foi o início da pandemia e eu estava muito alterado. Acho importante passar pelo fundo do poço – olhamos para trás e vemos uma mudança enorme. Nessa polémica com a Anitta eu estava fora de mim e eu não faria nem metade do que fiz. No entanto, iria defender-me igualmente, não digo através de vídeo, mas sim através de uma carta, algo mais ponderado e pensado. Há uma coisa que eu nunca tinha dito a ninguém [antes desta entrevista]. Em fevereiro nós tivemos uma audiência, pois eu tinha um processo contra ela, e nós chegámos a um acordo. Ambos retirámos todos os processos que tínhamos um contra o outro e acabou! Ninguém falou mais nada sobre ninguém e está tudo bem – ‘segue a tua vida que eu sigo a minha’. Foi necessário um juiz. Mas o que é certo é que ficámos distantes um do outro. Esta foi a melhor decisão. Foi uma audiência online na altura da pandemia – nem sei porque é que estou a falar disto [risos] – e foi engraçado, porque o juiz ‘tirou’ os advogados e ficou só comigo. Perguntou se havia forma de chegarmos a um acordo rápido – e fez o mesmo com ela. Até a minha advogada achou engraçado, porque o juiz pediu para que os advogados se retirassem da sala. Ele conversou pessoalmente com cada um de nós, porque queria que acabássemos com aquilo. Naquele momento entendi que a justiça tem tantos problemas, tantas questões muito mais sérias e graves do que problemas entre um ‘fofoqueiro’ e uma cantora.

Já tiveste alguma ‘fofoca’ relacionada com algum amigo e que tu não divulgaste?

Não tenho amigos famosos, apenas tenho conhecidos. Acho que é uma relação de interesse e está tudo bem… Nessas situações não deixo de divulgar, apenas ‘amenizo’ ou então chegamos a um consenso – por exemplo, a hora ou até mesmo o dia em que dá mais jeito que a informação seja tornada pública. Quem conta primeiro a história está sempre em vantagem.

Às vezes funcionas como psicólogo, certo?

Eu tento… Por exemplo, a Xuxa veio falar comigo sobre a questão de não comer carne e eu entendi o lado dela perfeitamente, mas quis explicar-lhe a importância da carne para as pessoas que vieram de origem simples como eu. Desde que me lembro, ter carne na mesa significava uma semana rica e vitoriosa, significava muito para o meu pai, para mim, para a minha família… Ela tem de entender que cortar na carne para mim e para boa parte da população brasileira é muito difícil, porque associamos a carne à vitória no trabalho. Eu tento, de uma maneira educada, dizer determinadas coisas mais ‘complicadas’ a algumas pessoas – porque, muitas vezes, existe o medo de confrontar as celebridades, e eu cheguei ao ponto de conseguir comunicar com todos de igual forma. Há momentos em que as perguntas ‘chocam’ e um exemplo disso foi a minha entrevista à Mayra Cardi, em que lhe perguntei se o que ela fazia era terrorismo ou marketing.

Há alguma celebridade ou famoso que tenha ficado de relações ‘cortadas’ contigo após alguma notícia?

Tenho percebido que sou eu que ‘corto’ a relação. As pessoas querem a fama e depois quando chega o ‘preço’ elas não querem pagar, são muito ‘chatas’… não dá. Sou eu que deixo de responder, que coloco no modo silencioso.