A carreira da comunicadora é feita de encontros e reencontros. Encontros com a verdade e sinceridade e reencontros com as pessoas, o palco e a televisão. A sua vida é repleta de emoções – das que sente e principalmente das que faz sentir. Teresa Guilherme está ligada a grandes sucessos, em diversas áreas, em que se destaca o seu muito aplaudido dom para a comunicação.

A apresentação sempre foi um hobby, mas a certo momento isso mudou. Diria que se apaixonou pela profissão?
Sou produtora por essência. Comecei na apresentação muito tarde. Isto aconteceu quando me convidaram para apresentar um programa que eu própria produzia. Disseram-me ‘isto era giro de ser apresentado por ti’… Então, não foi algo que eu procurei, foi algo que me caiu no colo. Eu pensei ‘é capaz de ser uma experiência engraçada’ e fui… sem saber que seria uma mudança radical na minha vida.
O teatro ainda vem mais tarde. Sempre fui uma fanática espectadora de teatro e gostaria de ter esta experiência. Foi uma nova descoberta e um prazer.

Como é que a Teresa apresentadora lida com a Teresa atriz?
Elas não são a mesma. É obvio. Mas eu sei que, no teatro, quando se abre o pano as pessoas estão a olhar para a apresentadora e sei que estou na vida de muitas delas desde que nasceram. Quando olham para mim, veem a Teresa apresentadora. E vão-se adaptando ao que a atriz faz. Por exemplo, nos ‘Monólogos da Vagina’, espetáculo onde estou há três anos, tem um bocadinho de mistura. Num dos vários monólogos da peça, eu vou ao público falar com eles. Ali, não vou fazer uma personagem, e sim ser eu a Teresa. Quem está ali é a Teresa e a experiência de apresentadora contou muito para ela.

Há que aceitar as coisas e andar para a frente

Como combate a questão da repetição do texto, sessão após sessão? Tem alguma estratégia para isso?
Faço como toda a gente: decoro, trabalho e depois esqueço. Durante um tempo, o texto não é nosso, depois é que passa a ser nosso. A fazer novelas, por exemplo, nunca fica nada na nossa cabeça, decoramos e está feito, varreu-se. Ele fica apenas na superfície das superfícies. Já o texto de teatro, nós não esquecemos completamente. Fica cá no disco rígido e passa a fazer parte de nós. É uma experiência diferente, uma repetição relativa, porque um dia estamos mais para direita e noutros mais para a esquerda. Cada sala é uma sala diferente, cada dia é um dia e tudo isso influencia na emoção, e consequentemente muda o texto.

Enquanto mulher, sente-se privilegiada por fazer parte deste elenco?
Sim, eu acho que os ‘Monólogos da Vagina’, que já foram representados por muitas atrizes no mundo inteiro, são um privilégio. Eles chamam a atenção para o poder das mulheres e é interessante mostrar que, a princípio, não há nenhum preconceito em relação à parte feminina, ele é criado pela sociedade. É um privilégio pertencer a esta peça numa época em que este assunto é prioritário. A evolução tem sido muito grande ao longo da vida.

Para além de atriz, apresentadora e produtora, ainda ministra palestras e cursos de comunicação. Em que momento surge esta vontade de partilhar o conhecimento com os outros?
Eu queria ser professora e quando comecei a apresentar em televisão as pessoas pediram-me aulas nas faculdades e escolas. Como eu não tinha procurado nada na profissão de apresentadora e isso caiu-me no colo, eu achava que tinha uma obrigação com as pessoas de ir partilhar a minha história. Foi assim que comecei a dar aulas e ajudar os outros a comunicarem melhor, principalmente ajudar na segurança dos alunos, porque o que acontece principalmente é o medo de falar em público.

Num destes cursos, fala de ‘bengalas’ de comunicação. Tinha alguma quando começou?
Continuo a ter. A minha palavra inimiga é ‘portanto’. Mas, na verdade, é palavra amiga, porque como eu digo muito ‘portanto’ para mim é como uma mudança de assunto.

Acredita que nesta área há lugar para toda a gente?
Acredito. E também acredito que, hoje em dia, a ideia de ser comunicador na televisão é uma ideia antiga. Ser comunicador é chegar aos outros nas diversas plataformas que podem ser tão interessantes ou mais do que a televisão.

Já disse que ‘somos todos invencíveis’… Pode explicar?
Posso. Todos nós surpreendemo-nos todos os dias, quando acontecem coisas boas e menos boas. Somos invencíveis porque sempre damos a volta. O invencível está escondido dentro de nós. Os outros veem, mas temos dificuldades em reconhecer isto dentro de nós, essa força infinita que temos. O maior problema de todos é acharmos que podemos ter uma vida sem problemas.

Qual é o conselho que leva para a vida?
Com calma também se levam as coisas. Sempre fui intensa demais, continuo a ser intensa, mas temos de entender que não estamos no controlo. Então, o tempo que levamos a tentar controlar a vida, os outros e as situações, é um tempo desperdiçado. Há que aceitar as coisas e andar para a frente.