Uma soberana de hábitos e discreta, no que à sua vida privada dizia respeito, que deixou, no entanto, margem para que lhe fossem conhecidas algumas paixões e curiosidades.

Um amor inabalável por corgis

O príncipe Filipe, marido de Isabel II, caminhou uma vida inteira atrás da mulher, com os protocolos a ditarem que ninguém deve passar à frente da monarca. No entanto, houve sempre uma exceção: corgis.

Existem poucas coisas que representem tanto a monarquia encabeçada por Isabel II como uma imagem dos seus animais de estimação. Desde tenra idade que os cães foram uma paixão constante na vida da soberana, com o primeiro corgi da rainha a ser-lhe oferecido pelo pai, Jorge VI, em 1933.

Mas o amor por estes animais de quatro patas adensou-se com a chegada de Susan. Uma cadela da raça, oferecida à rainha quando fez 18 anos, em 1944.

Inseparável da rainha chegou a ser contrabandeada até chegar à lua-de-mel de Isabel II, escondida debaixo de um tapete na carruagem real, após o casamento com o príncipe Filipe.

Susan foi aliás responsável por quase toda a linhagem de corgis que habitaram as residências reais, numa árvore genealógica numerosa.

Ao longo da sua vida a rainha teve mais de 30 cães, corgis e dorgis, esta última raça resultante do cruzamento entre um corgi e um dachshund, conhecidos vulgarmente como ‘salsicha’.

Em 2010, a rainha decidiu deixar de ter novos cães, receando deixá-los sozinhos após a sua morte, com Willow, o último da linhagem de Susan, a morrer em 2018.

Em março de 2021, Isabel II aceitou receber um novo casal de cães, oferecidos pelo filho, André, sendo que um deles acabaria por morrer. O filho da rainha, juntamente com ex-mulher Sarah Ferguson, viria a oferecer um novo corgi a Isabel II, já depois do falecimento do príncipe Filipe.

Isabel II: cinco curiosidades sobre a rainha
Embora a rainha mantivesse muitas vezes em público uma postura real, Isabel II era uma mulher com um grande sentido de humor e o seu sorriso uma das suas imagens de marca | © Reuters

Com a morte da rainha, os animais serão acolhidos pelos duques de Iorque, que apesar de estarem divorciados desde 1996, continuam a partilhar a mesma residência. 

Única mulher da realeza nas Forças Armadas

A imagem de uma senhora serena de mala ao ombro podem pautar o reinado de Isabel II, mas, desde cedo, a rainha mostrou ser uma mulher de armas. Literalmente.

Isabel II começou a quebrar preconceitos e barreiras muito cedo. Aos 18 anos tornou-se na primeira mulher da família real a entrar nas forças armadas, tendo ingressado, em 1944, no Serviço Territorial Auxiliar.

Até à data da sua morte era a única chefe de Estado viva a servir durante a Segunda Guerra Mundial. Foi nessa altura que se formou em mecânica e que foi motorista de camiões, ajudando na reparação de motores.

A guerra foi aliás um dos grandes formadores do espírito e personalidade de Isabel II. O conflito teve início quando Isabel tinha apenas 13 anos com o evento a marcar a sua adolescência e o início dos deveres reais, inicialmente como princesa.

Em outubro de 1940 Isabel II fez o primeiro discurso público, transmitido pela rádio, na altura dirigido às crianças britânicas enviadas para a América do norte de forma a escapar aos bombardeamentos que assolavam de forma severa o Reino Unido, num momento que acabaria por ganhar a simpatia dos norte-americanos pela causa dos aliados, dando força à ideia de que o país deveria juntar-se ao conflito na luta contra os alemães.

Corridas de cavalos

A rainha sempre foi conhecida pela serenidade, mas se houve momentos em que esta manifestou as emoções normais de um ser humano, era ao ver corridas de cavalos. Estes animais compunham outra das suas grandes paixões, com Isabel II a ser frequentadora assídua de corridas, além de proprietária e criadora de cavalos para estas competições.

A paixão começou desde tenra idade, com a monarca a aprender a montar com um pónei Sthetland, de nome Peggy, animal oferecido à rainha quanto tinha apenas quatro anos, pelo avô, Jorge V.

A pequena Lilibet cresceu, criando uma grande proximidade com estes animais, acompanhando o pai quando este visitava os estábulos reais e seguia os treinos dos equídeos criados pela coroa, numa atividade que a rainha viria a herdar do rei.

A rainha Isabel II apareceu publicamente pela primeira vez numa corrida em maio de 1954, quase uma década após o fim da II Guerra Mundial, acompanhando os seus pais até Ascot. Desde essa altura, a futura monarca passou a ser frequentadora assídua da competição, com o evento Royal Ascot a tornar-se num dos seus eventos sociais favoritos.

Isabel II foi vista várias vezes a montar a cavalo, tendo mantido essa atividade por vários anos, ao longo de quase toda a sua vida, mesmo quando o seu estado podia revelar uma maior fragilidade física.

Isabel II: cinco curiosidades sobre a rainha
Isabel II adorava animais de companhia e tinha uma confessa paixão por cavalos | © Reuters

Sentido de humor acutilante

Figura, aparentemente, austera e que carregava sobre si todo o peso de ser a coluna vertebral da monarquia inglesa, Isabel II era uma figura de Estado, com todas as responsabilidades associadas.

O peso do cargo e das suas funções poderiam ter tornando a rainha numa figura imperturbável e pouco simpática, mas os 70 anos de reinado mostraram exatamente o contrário. Isabel II soube ser uma rainha agregadora, com posições fortes, mas nem por isso mostrou ser antipática ou desagradável no trato com o público. Isabel II, além de figura acarinhada, era também conhecida pelo seu sentido de humor.

Foram vários os momentos em que a monarca deixou claro a sua personalidade bem-disposta e a sua ironia apurada, tal como aconteceu num evento a propósito do jubileu de Plantina, quando percebeu que o bolo estava ao contrário, de forma a que a imprensa pudesse ler o que lá estava escrito.

“Ah, é para eles lerem? OK. Eu não me importo. Eu também não importo”, afirmou, ironicamente, referindo que era mais importante que o bolo tivesse leitura para a imprensa do que para ela. “Acho que o consigo ler de pernas para o ar na mesma”, afirmou enquanto esboçava um sorriso.

Em 2015, quando recebeu o Primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, que lembrou as vezes que Isabel II já tinha visitado Canadá, uma delas quando ele tinha apenas 9 anos. “Obrigada, senhor primeiro-ministro do Canadá, por me fazer sentir velha”, foram as palavras da monarca numa provocação que fez soltar gargalhas na sala.

Isabel II: cinco curiosidades sobre a rainha
Isabel II e o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau | © Reuters

Isabel II soube moldar-se aos tempos e entrar nas brincadeiras quando assim era preciso. A apresentação, juntamente com Daniel Craig, a propósito dos Jogos Olímpicos de Londres foi um dos exemplos.

Também a sua participação ao lado do urso Paddington, por altura das celebrações do Jubileu, soltou sorrisos, com a rainha a mostrar à personagem britânica como também ela guardava uma sandes de marmelada na sua icónica mala, para o caso de ser necessário. O vídeo acabaria por marcar uma das últimas aparições públicas da monarca, tornando-se viral, com muitos britânicos a utilizarem peluches do urso Paddignton para se despedirem da rainha.

Uma rainha de todas as cores

Isabel II será sempre lembrada pelo guarda-roupa policromático. As cores fortes e variadas fizeram sempre parte das aparições da rainha, mas não eram utilizadas em vão. A rainha utilizava cores garridas para se fazer notar e permitir que todos a pudessem ver, num sinal de respeito para com o público.  

Com 1,63 de altura, e em eventos muitas vezes visitados por pequenas multidões, a rainha vestia-se de forma exuberante para que todos pudessem vê-la e identificá-la, numa forma de apreço, para que a viagem de quem a procurava ver não fosse em vão e quem tentasse identificar ao longe a rainha pudesse, efetivamente, encontrá-la.

O guarda-roupa de Isabel II foi objeto de várias análises ao longo dos tempos. Uma saia de bainhas pesadas, resistentes aos ventos mais intensos, e casacos da mesma cor, sem esquecer os sapatos pretos e os adereços como chapéus, joias e a icónica mala de mão foram looks que pautaram os 70 anos de reinado da monarca.

 

FONTE© Reuters