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Nasceu no seio de uma família tribal, numa pequena aldeia sul-africana, mas estava-lhe reservado um destino diferente. Cedo notou o abismo que separava brancos e negros no país e foi esta perceção que o motivou a dedicar a vida a defender a tolerância e combater o racismo. 

“Ideal pelo qual sou capaz de morrer”

Nelson Mandela começou a sua luta contra o apartheid – política sul-africana que promovia a segregação social, valorizando a ‘raça branca’ – ao juntar-se, em 1944, ao Congresso Nacional Africano, tornando-o num grande movimento de massas a nível nacional. O então estudante de Direito abriu o primeiro escritório de advocacia negra em Joanesburgo e geriu o movimento contra as políticas governamentais racistas de forma pacífica, com recurso a greves e boicotes.

Em 1961, Mandela liderou uma greve geral de três dias e foi condenado a cinco anos de prisão. Dois anos depois, a pena foi agravada. Um segundo julgamento ditou prisão perpétua. “Lutei contra o domínio branco, lutei contra o domínio negro. Defendi o ideal de uma sociedade livre e democrática, em que todas as pessoas possam viver juntas, com harmonia e em igualdade. É o ideal pelo qual vivo e hei-de alcançá-lo. Mas, se for preciso, também é um ideal pelo qual sou capaz de morrer”, proclamou.

Nelson Mandela: A força do perdão
O ativismo político e social de Nelson Mandela valeu-lhe o Nobel da Paz em 1993, que destacou o seu papel preponderante na pacificação da África do Sul. Dividiu o galardão desse ano com o último Presidente do país durante o ‘apartheid’, Frederik de Klerk | © John Mathew Smith

“Não ia entregar-me ao desespero”

Foi uma vida passada na cadeia, 27 longos anos de cativeiro. Padeceu de tuberculose, não foi autorizado a estar presente no funeral da mãe nem do filho mais velho. “Houve muitos momentos sombrios, nos quais a minha fé na Humanidade foi testada, mas eu não podia nem ia entregar-me ao desespero.”

A contestação internacional era enorme e o governo sul-africano teve de lidar com o movimento criado para a libertação de Mandela. A tão desejada liberdade chegou em 1990: “A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até ao fim dos meus dias.”

“Corajosos não receiam perdoar”

Em 1993, o mundo assistiu a um momento histórico: Nelson Mandela, ao lado do Presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, para receber o prémio Nobel da Paz. Um ano depois, torna-se no primeiro Presidente negro da África do Sul, aos 77 anos. O Governo de Mandela criou a ‘Comissão da Verdade e Reconciliação’, encarregada de apurar, e não punir, os factos ocorridos durante o apartheid, assegurando também um futuro no país à população branca. “As pessoas corajosas não receiam perdoar, a favor da paz”, afirmava.

Abandonou a política em 1999, mas a defesa dos direitos civis não ficou por aqui. “Só posso descansar por um momento, com a liberdade vêm as responsabilidades, não me posso demorar, a minha caminhada ainda não terminou.” Terminou aos 95 anos – a 5 de dezembro de 2013. A caminhada de Madiba chegou ao fim, mas o seu legado continua a ser uma inspiração em todo o mundo.   

FONTE@ Gregory Fullard_unsplash