O som da bola a bater no chão já faz parte da banda sonora deste jardim no centro da cidade de Lisboa. A felicidade de marcar um ponto ou a frustração de perder um jogo passaram a fazer parte do dia a dia de muitos novos atletas.

Foi em 1990 que o Padel chegou ao nosso país, mas por desconhecimento da modalidade ou por existirem muitas alternativas era um desporto pouco praticado em Portugal. Tudo mudou em 2020, o ano de mudanças de hábitos, rotinas e de um vírus desconhecido que abalou o mundo.

Pedro Bugalho - A febre do padel
Pedro Bugalho, proprietário de campos de Padel, em Lisboa | © Record TV Europa

Os ginásios estavam fechados e as pessoas começaram a aparecer e tivemos um ‘boom’ muito grande desde lá para cá. Ainda por cima com o confinamento, as pessoas tinham uma gestão mais fácil das suas agendas e começámos a alugar campos em horários que normalmente antes da pandemia estavam disponíveis. Agora, costumamos ter os nove campos ocupados às nove da manhã, coisa que era impensável antes da pandemia”, refere Pedro Bugalho, proprietário de campos de Padel em Lisboa.

“O confinamento foi muito mau para o padel porque afetou os clubes e as pessoas que trabalham nos serviços. Os campos estavam fechados, não se podia jogar”, refere Ricardo Oliveira, presidente da Federação Portuguesa de Padel.

As características da modalidade e o facto de ser praticada ao ar livre tornaram-na numa atração para quem queria continuar a fazer desporto, mas de forma segura, porque segundo Pedro Bugalho, é sempre um desporto sem contacto físico e ao ar livre”.

Depois de meses de teletrabalho e de confinamentos restritos, Rita decidiu que estava na hora de encontrar um hobbie que a ajudasse a aliviar do stresse provocado pela pandemia. Já tinha jogado ténis e foi desafiada por amigos a experimentar padel. Fez uma aula e sentiu que tinha encontrado o desporto ideal para o momento que o país atravessava. Neste momento já tem aulas duas vezes por semana.

Sinto-me mais segura a praticar padel do que a ir para um ginásio ou numa modalidade num espaço fechado. Aqui estamos ao ar livre é sempre mais seguro, não sinto que estou fechada com muitas pessoas a respirar. Cortei muitas coisas do meu dia por causa da pandemia e da covid-19, mas o padel não cortei e quando deu para voltar, voltei logo sem receios”, confessa Rita Boleixa.

Boom pós-pandemia

A experiência de Ricardo Azuara é semelhante à de Rita. Apesar de já praticar Padel há três anos, durante a pandemia intensificou o gosto pela modalidade.

Ricardo Azuara - A febre do padel
Ricardo Azuara, praticante padel | © Record TV Europa

Mesmo antes da pandemia era um desporto que já estava a ficar muito conhecido e depois com a pandemia, como era uma das poucas coisas que podíamos fazer, acabou por trazer muitas pessoas para o desporto. Muitos clubes surgiram nessa altura também”, refere Ricardo Azuara.

Rita e Ricardo fazem parte dos cerca de 500 alunos da escola de padel do Campo Grande. Em 2019 eram apenas 10 atletas a ter aulas e um professor. Nesta altura com o número de alunos a crescer a um grande ritmo, a escola já tem oito professores dos quais faz parte Pedro Bugalho. O também gestor do espaço diz que a vantagem da modalidade é sem dúvida a versatilidade de faixas etárias e géneros que podem praticar padel.

Rita Boleixa - A febre do padel
Rita Boleixa, praticante padel | © Record TV Europa

Temos de tudo… as pessoas que vêm do ginásio e são mais velhas, muitas vezes dizem que nem querem jogar, querem substituir o ginásio através do padel, querem estar aqui uma hora a fazer desporto e a queimar algumas calorias. Depois também temos as pessoas que jogam socialmente e querem melhorar o seu nível de jogo e começam a coordenar as duas coisas”, refere.

Desporto para todos

Apesar de ser um desporto sem contacto físico, é jogado com quatro pessoas. É conhecida como uma modalidade social que fomenta novas amizades porque pessoas que não se conhecem de lado nenhum, vão jogar juntas” e muitos dos jogos até “nascem porque alguém lança um desafio num grupo numa rede social”, confessa Pedro Bugalho.

Com o número de praticantes a aumentar houve também a necessidade de criar mais campos. De acordo com os dados fornecidos pela Federação Portuguesa de Padel, em 2021 foram construídos mais 250 campos em Portugal. Em 2019 existiam cerca de 400 em todo o país, neste momento, o número já ultrapassa os 800.

Ricardo Oliveira - A febre do padel
Ricardo Oliveira, Presidente da Federação Portuguesa de Padel | © Record TV Europa

O papel da Federação Portuguesa de Padel foi fundamental. Criada em 2012 por um grupo de amigos ex-tenistas, nesse núcleo estava também Ricardo da Silva Oliveira, um entusiasta da modalidade.

Foi um trabalho duro e longo. Tivemos de dar a modalidade a conhecer, criar páginas de Facebook, fazer contactos com pessoas lá fora”, refere.

O Padel já é ensinado nas escolas, o grande objetivo é que seja reconhecido como um desporto forte no país e que atraía os mais novos, para que se continue a formar bons atletas que represente as cores de Portugal pelo mundo fora. 

FONTE© David Prado Perucha, Envato