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Passaram mais de 50 anos desde que Ferruccio Lamborghini largou a construção de tratores e lançou o 350 GT, o desportivo que elevou a casa de Sant’Agata Bolognese ao estatuto de sério concorrente da compatriota Ferrari. De lá para cá, a insígnia do touro ganhou fama e estabeleceu-se pelo design ousado, motores hiperpotentes e inovação.

Nada ficou de fora no protótipo Terzo Millennio, o hiperdesportivo da Lamborghini da próxima geração. Embora possa parecer o carro do Batman, o novo bólide é mais do que o transporte de uma figura de BD, é ele próprio um super-herói. E muito se deve à colaboração do norte-americano MIT, um dos mais prestigiados centros de investigação tecnológica do mundo.

O primeiro impacto do Terzo Millennio é visual porque, como não podia deixar de ser, mantém os traços de design vanguardista com as linhas aerodinâmicas arrojadas que impressionam os amantes da marca.

“O objetivo tecnológico do projeto é permitir à Lamborghini corresponder ao futuro dos hiperdesportivos em cinco dimensões: sistema de armazenamento de energia, materiais inovadores, sistema de propulsão, design visionário e emoção”, refere a insígnia italiana. Por tudo isto, o primeiro hiperdesportivo elétrico da marca vem equipado com quatro motores elétricos, capazes de distribuir torque e tração, individualmente, em cada roda (embora não sejam conhecidos os números de desempenho).

Repara-se sozinho

O construtor do Grupo Volkswagen abandona assim os enormes e nobres motores a combustão V12, que lhe conferiam o robusto ronco que anunciava os seus carros à distância. Ainda assim, a marca garante estar a estudar a possibilidade de reproduzir o ruído do carismático Aventador neste modelo.

Esta ausência, a confirmar-se, é claramente compensada pela inovação ao nível da carroçaria. Através da tecnologia do MIT – com o qual a Lamborghini estabeleceu uma parceria de três anos -, o novo veículo inclui uma carroçaria e chassi em fibra de carbono com vida própria que monitoriza o estado da sua estrutura e restaura-a quando necessário.

Em resumo, a fibra de carbono possui sensores que detetam as possíveis rachas ou fissuras, provocadas por impactos. Estas são depois ‘reparadas’ por via de um processo de autorregeneração, que funciona através de microcanais preenchidos com ‘químicos reparadores’, que reduzem o risco da propagação das fissuras, devolvendo a rigidez original à fibra.

Bateria incorporada na carroçaria

Em simultâneo, o MIT também apresentou uma solução para o problema do peso das baterias, que normalmente compromete a velocidade e a autonomia dos carros elétricos. No Terzo Millennio, as baterias convencionais dão lugar a supercondensadores que aumentam a força e prolongam o ciclo de vida do veículo. Basicamente, a carroçaria e chassi transformam-se numa gigantesca bateria que armazena e liberta a energia.

Ao invés da convencional bateria de iões de lítio na base do chassi, o Terzo inclui acumuladores, construídos com nanotubos em fibra de carbono, espalhados pela carroçaria, colocados entre uma camada exterior e outra interior, para proteção. Este novo sistema permite que o hiperdesportivo se mantenha leve, seja capaz de armazenar bastante energia e se recarregue num curto período de tempo.

Cockpit virtual

Outra das inovações do primeiro elétrico da Lamborghini é a introdução de um cockpit virtual que reproduz as pistas de corrida mais conhecidas do mundo, para que o condutor simule a condução previamente. Este sistema inclui o simulador ‘Pilot Driving’, que permite que o condutor seja orientado por um assistente virtual que surge como imagem no para-brisas e dá dicas sobre a melhor forma de fazer as curvas de um determinado circuito ou sugestões para uma condução mais desportiva.