Comecemos pelo princípio… A kizomba é um ritmo que pertence à cultura angolana, que mistura sensualidade e romanticismo nos seus movimentos. A sua música move, atualmente, milhões de pessoas e converteu-se num fenómeno a nível mundial.

A kizomba tem ritmo muito próprio: quem sabe dançar, não quer outra coisa e quem não sabe, quer aprender

É fruto da fusão entre vários géneros musicais e passos de dança já existentes em África. Uma verdadeira miscelânea de estilos dançantes que se espalhou culturalmente por vários países africanos, europeus e americanos.

Antecede-lhe ritmos como o semba e o zouk. Djodje, um dos nomes maiores deste tipo de música – com mais de 20 anos de carreira – conta que “a kizomba teve origem nas Antilhas e adaptou-se à cultura lusófona. Em Cabo Verde, onde nasci, desde sempre se ouviu este ritmo e os produtores musicais deram-lhe um cunho mais ‘terra’, mais crioulo. Em Angola, existia a kizomba, mais como dança do que propriamente como estilo musical.”

Em Portugal, o conceito abrange qualquer estilo de música dentro do zouk, que significa ‘a farra é o único medicamento que temos’, o que pode explicar bem o estilo quente e mexido que, em terras lusas, denominamos por kizomba.

O ritmo mais sexy do mundo!
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De onde surge?

Este tipo de dança deriva da palavra ‘kimbundo’, que significa festa. Tem origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão. Essas comemorações eram um grito de liberdade, mas representavam também momentos de grande confraternização entre os escravos.

DANÇA MAIS SEXY

A kizomba é associada a uma dança extremamente envolvente. A música puxa o pé para a pista, proporciona uma enorme cumplicidade entre homem e mulher, sendo dançada com grande proximidade, com movimentos lentos, sensuais e insistentes.
Requer bastante flexibilidade, uma vez que os dançarinos recorrem a movimentos verticais frequentes, alternando entre o ‘sobe e desce’ das pernas.

Este ritmo foi introduzido às massas por uma banda angolana pertencente às Forças Armadas Popular de Libertação de Angola (FAPLA), já no ano de 1989.

As novas gerações angolanas modernizaram este ritmo ao juntar-lhe sons de bateria e outros instrumentos de percussão. O resultado foi a composição de um andamento mais lento e muito sensual como o que ouvimos hoje em dia.

“Tudo o que é novo sofre preconceito”

Em entrevista à Record TV, Djodje falou-nos deste ritmo africano, o tipo de música que predomina nos seus álbuns, considerando-a bem aceite entre o público português.

“Desde sempre, a kizomba sempre teve o seu espaço em Portugal, que tem uma comunidade dos PALOP muito grande. Sempre se ouviu cá, e os fãs tanto eram os imigrantes africanos como os portugueses. Mas só há alguns anos é que foi dado o ‘carimbo’ oficial, é que se passou a ouvir kizomba nas rádios, televisão e em todo o lado… Quando começou a passar, teve sucesso imediato”, refere Djodje.

Cada vez mais com forte ligação ao nosso país, a kizomba é, atualmente e maioritariamente cantada em português, e tem sido alvo de um sucesso estrondoso à escala mundial.

FONTE© Envato