Pedro Fernandes - Share Magazine - Opinião
Pedro Fernandes
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Contabilista certificado

Muito se tem falado sobre inflação e, em Portugal, esta taxa tem apresentado uma tendência de aceleração, ficando no final de 2021 acima do inicialmente previsto pelo Banco de Portugal. Para muitos isto não é uma surpresa, até porque são vários os sinais que apontam para que a escalada desta taxa não seja temporária.

Mas, afinal, o que é a inflação e como pode afetar o nosso dia a dia?

A inflação ocorre quando se verifica um aumento geral dos preços dos bens e serviços. Significa que com um euro se compra menos hoje do que ontem. Por outras palavras, a inflação reduz o poder de compra ao longo do tempo.

O impacto gerado no nosso quotidiano é – e será – substancial, uma vez que as famílias gastam com mais frequência em alguns dos bens e serviços que nos últimos anos têm registado um aumento significativo, sendo um bom exemplo disso os combustíveis, o pão e os transportes.

Para travar ou controlar este aumento generalizado dos preços, i.e. a inflação, o Banco Central Europeu (BCE) já admitiu rever a sua política de taxas de juro, alertando mesmo para a possibilidade de uma subida já em 2022.

Este é um ambiente que traz sérios riscos às famílias portuguesas, isto porque, num cenário de subida das taxas de juro, os portugueses irão ver a sua fatura mensal com o crédito para aquisição de casa aumentar e, consequentemente, sentir uma maior pressão no orçamento familiar. Note-se que em média o crédito à habitação representa cerca de 30% do orçamento familiar. 

Resumindo, poderei afirmar, com alguma segurança, que o ciclo de financiamento barato tem os dias contados, e a tendência de subida das taxas de juro é já muito clara, ainda que deverá acontecer de uma forma gradual e lenta.

Assim, e como diz o velho ditado popular, “Cautela (e muita) e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.