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César Ribeiro - Share Magazine - Opinião
César Ribeiro

Professor

Não sei se sou o único, mas nos últimos tempos tem sido muito frequente alguém comentar comigo o preço dos bens e serviços no geral. Há histórias verdadeiramente assustadoras.

Bens alimentares cujo preço quase duplicou, justificações para tal que não cabem na cabeça de ninguém, enfim… um sem número de situações que nos levam a refletir sobre o estado em que nos encontramos.

Este sentimento que parece levar à prudência é depois contrariado por um conjunto de cidadãos do tipo ‘agora é a minha vez’, ou melhor, que agradecem que este ambiente prolifere. Eu chamo-lhe o “momento em que os gigantes se levantam”.

De um lado está a preocupação com a subida do preço dos bens e serviços considerados essenciais. Do outro, está alguém a transacionar um imóvel a preços nunca antes praticados

Mas o facto é: as pessoas compram, as empresas compram, os bancos financiam e a vida continua, ou, pelo menos, parece que continua. Em momentos como este o dinheiro não fica parado. Aliás, não é muito comum ver alguém a queimar dinheiro.

Significa que ele permanece, com ou sem crise. Ora, se se esgota na mão de alguns é porque está na mão de outros. No momento em que alguém não conseguir comprar a carne, o peixe, o pão ou o leite, é porque outros estarão a comprar o que é supérfluo.

Ao refletir, parece que estes dois mundos não existem separadamente, não se digladiam, tampouco se completam, nem precisam disso. Eles, simplesmente, parecem coexistir. Fazem-me lembrar o leão e o abutre. É comum ambos partilharem o mesmo território.

Não lutam um com o outro. O leão caça e quando está satisfeito deixa a carcaça para o abutre. Por sua vez, o leão, quando está faminto e a caça não lhe corre de feição, basta ver para onde voam os abutres e é bem possível que consiga uma refeição com pouco esforço.

Também aqui, simplesmente, parecem coexistir.

FONTE© Envato